Buscas caminham para 5º dia sem pistas definidas sobre avião

Rio de Janeiro, 4 jun (EFE).- O resgate das vítimas e a recuperação de partes do avião da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo terminaram hoje sem resultados pelo quarto dia seguido, após as autoridades constatarem que os primeiros materiais retirados do Atlântico não pertencem à aeronave.

EFE |

Um suporte utilizado no transporte de cargas (pallet) de 2,5 metros quadrados e duas boias, que se pensava que fossem do avião acidentado, foram os primeiros materiais recuperados pela Marinha brasileira em uma extensa área do Atlântico.

No entanto, o brigadeiro-general Ramón Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB), disse esta noite que as primeiras avaliações apontam que os objetos não estavam no Airbus A330-200.

"O pallet que foi achado não fazia parte da aeronave", disse o oficial à imprensa na cidade de Recife.

Segundo ele, o suporte achado é de madeira e os usados em aviões costumam ser de alumínio por ser um metal leve.

"Até o momento nenhum pedaço da aeronave foi recuperado", anotou o militar, que disse ainda que os aviões da FAB detectaram restos do avião flutuando no mar, mas até agora nenhum deles pôde ser recolhido por navios porque as correntes marinhas os arrastam por quilômetros.

Nem a FAB, que varre desde a segunda-feira a região onde se acredita ter acontecido o acidente, nem a Marinha, que enviou cinco navios à área, encontraram sobreviventes, corpos ou pertences de passageiros e tripulantes.

"Estamos com mais de 100 horas desde o acidente e cada vez é mais remota essa possibilidade" de encontrar sobreviventes, disse o oficial, que acrescentou que amanhã tentarão recolher do mar alguns dos pedaços do avião avistados nos três últimos dias.

A Força Aérea informou que seus pilotos avistaram esta manhã novos restos, aparentemente de partes internas e externas da aeronave.

Nas operações de busca participam também um avião de patrulha marítima P-3C Orion dos Estados Unidos e um Falcon 50 da França.

A área de operações está próxima às ilhas de São Pedro e São Paulo, a cerca de 700 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha e a quase 1.300 quilômetros de Recife.

No Rio de Janeiro, a cidade de onde partiu o voo que tinha Paris como destino, foi rendida hoje uma homenagem às vítimas em missa na Igreja da Candelaria.

O ato contou com a presença de familiares e amigos das vítimas, além do ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, e do chanceler Celso Amorim, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pouco antes do ato, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que, como a tragédia não foi natural e o avião conseguiu enviar notas técnicas sobre problemas a bordo, tanto a Air France como a fabricante Airbus têm muito a explicar sobre as causas do acidente.

Em coletiva de imprensa depois, Kouchner afirmou que por enquanto não há nenhuma explicação para a tragédia e defendeu a transparência da França nas investigações.

"Estamos trabalhando para que possamos encontrar uma explicação para o que ocorreu o mais rápido possível, mas por enquanto não tenho explicação. Não estamos escondendo nada e não há razão para esconder", afirmou o ministro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Ao ser interrogado sobre a possibilidade de um atentado terrorista, o ministro disse que "até agora não existe nenhuma evidência sólida nessa direção", o que, porém, "não quer dizer que se tenha descartado a hipótese". EFE cm/rr

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