Busca por vítimas do avião da Air France segue sem novos resultados

Rio de Janeiro, 14 jun (EFE).- A busca pelas vítimas do acidente do avião da Air France que caiu ao oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo completou hoje dois dias seguidos sem que fossem retirados do mar novos corpos, cujo estado já começa a dificultar as identificações, segundo fontes oficiais.

EFE |

Após reconhecer que os corpos resgatados e que estão sendo analisados na cidade de Recife são 43 e não 44 como vinha sendo reportado, as autoridades brasileiras informaram que, perante as dificuldades para distingui-los, daqui em diante passará a se referir aos mesmos como "despojos mortais" e não mais como "corpos".

"Perante a impossibilidade de verificar apenas por contato visual o estado dos corpos, a partir de hoje o comando das operações de busca passará a utilizar o termo 'despojo mortal' e não mais 'corpo' para contabilizar o que for achado no oceano", segundo a nota divulgada hoje pela Marinha e pela Aeronáutica do Brasil.

Uma nota anterior já tinha admitido que um dos despojos que vinha sendo contabilizado como corpo foi descartado pelos peritos que realizam as tarefas de identificação, por isso que o número de cadáveres resgatados teve que ser retificado.

De acordo com versões de imprensa não confirmadas, um fragmento de cerca de 80 centímetros que vinha sendo contabilizado como parte de um corpo resultou ser um pedaço de um animal marinho de grande porte.

"Quanto à identificação dos corpos, o estado em que se encontram não garante que uma eventual indicação positiva por parte dos familiares seja conclusivo", disse por sua parte a Polícia Federal, responsável pela identificação, em comunicado no qual explicou por que não permitiu que os parentes das vítimas possam ver corpos e pertences.

Além dos 43 corpos já analisados em Recife, outros seis foram transferidos hoje de um navio da Marinha francesa que os encontrou para um da Marinha brasileira que os levará para terra, com o que o total de cadáveres resgatados chega a 49.

Em entrevista coletiva concedida ao anoitecer deste domingo, o tenente-brigadeiro da Aeronáutica Ramon Borges Cardoso, chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, informou que apesar das condições meteorológicas terem melhorado, hoje, como já tinha ocorrido no sábado, também não foram encontrados novos corpos nem avistados restos da aeronave.

Após ter estado em terra no sábado porque as más condições meteorológicas impediram as buscas, os 12 aviões que participam das operações puderam decolar este domingo e sobrevoar a área do acidente, mas retornaram à base no arquipélago de Fernando de Noronha sem resultados.

Cardoso assegurou que a partir da próxima quarta-feira os responsáveis pelas buscas terão reuniões a cada dois dias para analisar a possibilidade de suspendê-las.

"Não temos uma data limite. O prazo que geralmente se leva em conta é de uns 21 dias, mas não estamos nos guiando por razões técnicas. Se quando nos aproximarmos dos 20 dias continuarmos encontrando corpos, obviamente as buscas seguirão", afirmou o oficial, após lembrar que hoje se completaram 14 dias do acidente.

"Todos os familiares gostariam que as buscas prosseguissem até que fosse achado o maior número possível de corpos, e esse é nosso objetivo, mas, quando já não houver possibilidade que isso ocorra, encerraremos as buscas", afirmou.

O tenente-brigadeiro acrescentou que os restos do avião que foram retirados do mar foram desembarcados hoje em Recife e entregues às autoridades francesas responsáveis pela investigação.

Apesar de o Brasil comandar as operações de busca dos restos do avião, a investigação é responsabilidade do órgão francês Escritório de Investigações e Análise (BEA, em francês).

Entre os restos desembarcados está uma peça metálica de 14 metros de altura que aparentemente faz parte da cauda da aeronave, outros pedaços de fuselagem do avião, alguns revestimentos internos e parte da bagagem dos passageiros.

"Todas as peças foram entregues às autoridades francesas e estão a sua disposição para a investigação em um galpão no porto de Recife. Imagino que armazenarão tudo nesse galpão até decidir o que fazem com o material", afirmou Cardoso.

"Na grande maioria são peças pequenas", acrescentou o oficial, que no sábado já tinha admitido que o número de restos achados não é significativo. EFE cm/ma

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