Busca por possíveis sobreviventes de avião etíope se intensificam

Kathy Seleme Beirute, 26 jan (EFE).- As operações de busca por possíveis sobreviventes do acidente aéreo da segunda-feira no Líbano se intensificaram hoje, mas sem resultados positivos, enquanto continua o lento processo de identificação dos corpos resgatados.

EFE |

A aeronave, um Boeing 737-800 da companhia Ethiopian Airlines que saiu de Beirute com destino a Adis-Abeba, com 90 pessoas a bordo, caiu pouco após decolar por razões ainda desconhecidas, embora as primeiras hipóteses apontem para o mau tempo.

Fontes militares reiteraram hoje à Agência Efe que só foram recuperados 14 corpos das águas do Mar Mediterrâneo onde caiu o avião, embora os números de corpos resgatados sejam diferentes, segundo a fonte.

Ontem, a televisão libanesa chegou a dizer que eram 30 os corpos resgatados, e hoje, em Adis-Abeba, a companhia aérea informou que as equipes haviam tinham tirado das águas 60 corpos, dos quais só 14 tinham sido identificados.

As buscas se estendem da zona marítima situada na cidade de Naame, onde se acredita ter caído o avião, até Ras Beirute, conhecido como o passeio marítimo da capital libanesa.

As mesmas fontes disseram também que ainda não foi encontrada a fuselagem do Boeing 737-800, mas já o foram alguns restos da aeronave, como uma cabina de banheiro e várias poltronas.

O ministro de Transporte libanês, Ghazi Aridi, declarou aos jornalistas que havia sido localizada "a área geográfica do acidente, mas não ainda o avião".

A espera é angustiante para as famílias dos passageiros, que estavam presentes nos hospitais onde procuram confirmar se seus parentes foram resgatados.

Fontes médicas e autoridades civis disseram que as pessoas encontradas estão desfiguradas e queimadas, o que dificulta sua identificação.

Segundo o deputado Atef Majdalani, é preciso aguardar pelo menos 72 horas para que os exames de DNA determinem a identidade dos mortos.

As autoridades pediram hoje aos parentes das vítimas que se apresentem perante as delegacias para tomar mostras DNA para acelerar a identificação dos corpos.

O ministro da Saúde, Mohammad Khalifeh, reiterou hoje o apelo às famílias para que tenham paciência e esperem os resultados finais.

"Não queremos nos equivocar", afirmou.

Mas muitos dos familiares não podem conter a raiva e atribuem às autoridades a confusão surgida com relação ao número de corpos resgatados.

"Ontem disseram que haviam encontrado 25 e hoje 14. Como acreditar neles?", questionou-se em declarações à televisão uma pessoa que se identificou com o sobrenome de Farhat.

Aos trabalhos de resgate se juntou a Marinha dos Estados Unidos, que enviou um avião com detectores especializados no rastreamento de sobreviventes e que colabora também para readquirir a caixa-preta do avião, que se acredita estar em uma profundidade de 50 a 100 metros.

As autoridades querem recuperar o mais rápido possível a caixa-preta para saber as causas do acidente. O Governo libanês descartou a possibilidade de um atentado e aponta razões meteorológicas.

Ontem à noite, o ministro da Defesa, Elias Murr, disse que a torre de controle ordenou ao piloto mudar de rumo para evitar a tempestade que aumentava sobre a capital libanesa, mas, aparentemente, o comandante ignorou a ordem.

Segundo várias testemunhas, o avião caiu no mar envolvido em chamas, o que desde alguns veículos de imprensa interpretaram como a consequência de uma possível sabotagem, negada pelas autoridades.

Também não se sabe o paradeiro da passageira cubano-americana Marla Sánchez, esposa do embaixador da França em Beirute, Denis Pietton.

Enquanto ontem fontes militares asseguravam que o corpo de Sánchez tinha sido resgatado, hoje uma fonte da embaixada francesa insistiu que ainda não sabiam nada de seu paradeiro.

"Seria um milagre se a encontrássemos com vida. Continuamos esperando, mas achamos que só poderemos resgatar seu corpo", disse a fonte, que preferiu não se identificar.

Segundo a agência local de notícias, dois membros do escritório francês de pesquisas sobre catástrofes aéreas chegaram nas últimas horas a Beirute para ajudar as operações. EFE ks-ag/sa

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