Búlgaros rejeitam governistas e direita ganha força em eleições

Vladislav Púnchev. Sófia, 5 jul (EFE).- O eleitorado búlgaro decidiu hoje punir a pouca eficiência do Governo socialista na luta contra a corrupção e apoiou majoritariamente a oposição conservadora do partido Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (Gerb) nas eleições gerais.

EFE |

Segundo as pesquisas de boca-de-urna, o Gerb, liderado pelo prefeito de Sófia, Boiko Borisov, obteve entre 38% e 41% dos votos, o que lhe daria até 117 cadeiras, ficando a apenas quatro da maioria absoluta.

Já o Partido Socialista Búlgaro (BSP), do atual primeiro-ministro Serguei Stanishev, poderia ter obtido apenas 17% dos votos e 41 cadeiras.

A participação nas eleições, as primeiras da Bulgária como membro da União Europeia (UE), rondou 60%, números elevado em comparação com pleitos anteriores.

A campanha eleitoral de Borisov, um ex-guarda-costas e professor de caratê, se centrou em denunciar os graves casos de corrupção dentro da administração pública, especialmente os relacionados com o desvio de ajudas da UE.

No ano passado, a Comissão Europeia (órgão executivo da UE) decidiu cancelar por isso a entrega de 500 milhões de euros em fundos de desenvolvimento.

Já no pleito europeu do mês passado, o eleitorado lançou uma clara mensagem de insatisfação com o Governo socialista, ao dar a vitória à legenda de Borisov.

O populista prefeito da capital búlgara não duvidou em prometer que mandaria para prisão vários ministros envolvidos em casos de fraude e suborno.

Já o BSP parece não ter convencido com suas promessas de mais políticas sociais no país mais pobre da UE, onde o salário mínimo é de 120 euros e o salário médio, de 250.

Em todo caso, com os atuais resultados na mão e à espera de que a apuração oficial seja anunciada amanhã, o Gerb não disporia de cadeiras suficientes para governar sozinho.

Se abre assim a possibilidade de uma complicada negociação para formar o Executivo, uma vez que Borisov já negou categoricamente a possibilidade de um acordo com socialistas.

Sobre o risco de um impasse político, já havia advertido antes da eleição o presidente do país, Georgi Purvanov, que pediu aos partidos que fiquem dispostos a colaborar.

Além disso, o chefe do Estado afirmou que longas negociações seriam prejudiciais na luta contra a crise econômica e a recessão que o país vive.

Por enquanto, o resto da composição parlamentar incluirá o partido Movimentos de Direitos e Liberdades (DPS), da minoria turca, que com 11% e 38 cadeiras seria a terceira força política.

A legenda exerceu tradicionalmente o papel de força flexível nos últimos 20 anos e durante a última legislatura formou coalizão com os socialistas.

Mas a possibilidade de uma coalizão com este partido foi também descartada a priori por Borisov.

As outras duas legendas que entrariam no Parlamento seriam os ultranacionalistas do Ataka, que conquistou 10% dos votos, e a Coalizão Azul, de centro-direita, que receberia 8% de apoio eleitoral e desponta como aliada de Borisov.

Os também ultranacionalistas do grupo chamado "Ordem, legalidade e justiça" não chegaram aos 4% dos votos necessários para entrar no Parlamento.

O pleito de hoje foi marcado também por denúncias de compra de votos, que provocaram a detenção de 12 pessoas. Já durante a campanha, várias investigações jornalísticas tinham revelado que representantes dos partidos ofereceram entre 25 e 50 euros para assegurar o apoio dos búlgaros.

Outra coisa que segue provocando polêmica é a chegada de eleitores da Turquia, onde, segundo dados não oficiais, vivem mais de 120 mil pessoas com dupla cidadania, búlgara e turca. Muitas deles viajam para dar apoio ao DPS, em um tipo de "turismo eleitoral" denunciado pelos nacionalistas. EFE vp/rr

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