Buenos Aires volta a suspender voos por cinzas de vulcão chileno

Nuvem de cinzas vulcânicas também cancela operações do aeroporto de Montevidéu; TAM e GOL suspendem voos aos dois países

iG São Paulo |

A chegada de uma nova nuvem de cinzas do vulcão chileno Puyehue na noite de domingo forçou a suspensão das operações dos aeroportos da capital argentina, Buenos Aires, até pelo menos o início da tarde de terça-feira.

As principais redes de TV e sites de notícias argentinos dizem que as operações nos aeroportos da capital argentina foram suspensos por 30 horas desde o meio-dia desta segunda-feira . No domingo, 38 partidas e chegadas foram canceladas no aeroporto internacional de Ezeiza e no Aeroparque Jorge Newbery.

Por causa da nuvem de cinzas, as companhias brasileiras TAM e GOL cancelaram seus voos do Brasil para a Argentina e o Uruguai desde a noite de domingo. Além das duas empresas brasileiras, a chilena LAN e a argentina Aerolíneas também cancelaram seus voos.

A GOL informou que suspendeu os voos de e para as cidades de de Buenos Aires e Rosário, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai, desde a noite de domingo. A TAM anunciou a suspensão de suas operações nos aeroportos de Buenos Aires e Montevidéu.

A situação em Buenos Aires obrigou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a viajar por terra de Córdoba, no norte da Argentina, à capital para cumprir com sua agenda, que inclui uma reunião com a presidente argentina, Cristina Kirchner.

A propagação das cinzas do vulcão chileno que entrou em erupção em 4 de junho causa grandes prejuízos nas cidades turísticas de Bariloche (1,6 mil km a sudoeste), que tem seu aeroporto fechado há uma semana, e Villa La Angostura, a menos de 40 km do vulcão.

Cancelamentos no Uruguai e Oceania

A nuvem de cinzas também forçou o cancelamento dos voos pela terceira vez nos últimos sete dias no Aeroporto Internacional de Carrasco, em Montevidéu. "Há cinzas vulcânicas cobrindo todo nosso território, e por isso as companhias decidiram não operar atendendo aos critérios de segurança", afirmou Jorge Bentos, chefe de operações terrestres da Puerta del Sur, a concessionária do principal aeroporto do país.

Além dos voos à Argentina e ao Brasil, destinos que incluem conexões com Montevidéu, os outros países prejudicados pela situação são Espanha, EUA, Paraguai, Chile, Peru e Panamá.

Voos previstos a partir do aeroporto de Santiago do Chile em direção à Argentina e ao Uruguai tiveram de ser suspensos novamente por causa das cinzas. Na capital chilena, a companhia aérea chilena LAN cancelou suas operações com destino a Buenos Aires e a Córdoba, assim como para Montevidéu, enquanto a Sky Airlines e a Air Canada suspenderam as viagens à capital argentina. Auruguaia Pluna cancelou uma partida para Montevidéu, de acordo a informação do site do aeroporto.

A nuvem não vem causando somente problemas na América do Sul. Em oito dias, as cinzas percorreram quase 10 mil quilômetros e atravessaram o Oceano Pacífico para chegar à Nova Zelândia e ao sul da Austrália .

A companhia aérea Qantas cancelou nesta segunda-feira todos os pousos e decolagens da ilha australiana da Tasmânia e da Nova Zelândia. No aeroporto da cidade australiana de Melbourne, todos os voos foram suspensos pelo menos até meio-dia.

As companhias aéreas de voos domésticos Jetstar e Tiger Airways também suspenderam voos pelo menos até meio-dia. Segundo a rádio australiana ABC, a Virgin é a única companhia que retomou seus voos em Melbourne e na Nova Zelândia.

Olivia Wirth, porta-voz da Qantas, disse à rádio australiana ABC que cerca de 10 mil passageiros de sua companhia aérea e outros 12 mil da Jetstar foram afetados desde domingo pelos cancelamentos.

Matt Wardell, porta-voz da Airservices Australia, indicou que a nuvem de cinzas continua cobrindo nesta segunda-feira a ilha da Tasmânia e algumas partes do Estado de Victória, incluindo a cidade de Melbourne. "(A nuvem de cinzas) está entre 7,5 e 11 quilômetros de altura e se espalhando e movimentando lentamente sentido nordeste", disse Wardell à agência de notícias AAP.

Um grande número de passageiros se encontra no aeroporto neozelandês de Auckland por causa do cancelamento de seus voos. Mas, por enquanto, a companhia Air New Zealand está operando a uma altura mais baixa que o nível da nuvem de cinzas (entre 6,1 e 9,2 quilômetros).

Vulcão no Chile

O vulcão Puyehue fica a 950 quilômetros ao sul de Santiago do Chile. No domingo, o governo autorizou o retorno aos lares de alguns moradores por causa da erupção, que obrigou a retirada de 4 mil pessoas de seus arredores.

A localidade de Riñinahue, próxima ao entorno vulcânico, começou nesta segunda-feira a acumular cinza vulcânica. O intendente da região do Maule, Rodrigo Galiléia, sobrevoará nesta segunda-feira outro vulcão, o Planchón-Peteroa, que fica a 380 quilômetros ao sul de Santiago, para controlar sua atividade vulcânica.

No Chile, há mais de 2 mil vulcões, dos quais 125 são considerados geologicamente ativos e 60 tiveram algum tipo de atividade eruptiva histórica nos últimos 450 anos.

*Com Reuters, EFE e AFP

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