Buda mulher condena o Dalai Lama por crise no Tibete

PEQUIM (Reuters) - A única Buda viva no Tibete, que também é uma importante autoridade regional, disse estar chateada e irritada com as revoltas ocorridas em Lhasa no mês passado e acusou o Dalai Lama de violar os ensinamentos budistas, segundo a mídia estatal chinesa. A décima segunda Samding Dorje Phagmo afirmou que, desde que foi incorporado pela China comunista, o Tibete não é mais uma atrasada sociedade feudal, repleta de servos analfabetos com pouco acesso a tratamento médico.

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'O velho Tibete era sombrio e cruel, a vida dos servos era pior do que a do gado e dos cavalos', disse ela à agência de notícias estatal Xinhua, em uma entrevista publicada na terça-feira.

Nascida em 1942, ela foi escolhida como reencarnação da divindade Vajravarahi aos cinco anos. Agora chefe do monastério de Samding, ela também é vice-chefe do comitê do Congresso Regional do Povo Tibetano Autônomo, o parlamento regional.

Ela estava em Pequim para um encontro com o corpo consultivo do parlamento, quando as lutas irromperam em Lhasa, no dia 14 de março, depois de dias de protestos liderados por monges.

'Fiquei surpresa ao assistir na televisão pessoas inescrupulosas queimando e destruindo lojas, escolas e propriedades públicas, exibindo armas e porretes para atacar transeuntes desafortunados. Meu coração ficou profundamente partido, com ressentimento indignado', disse ela em uma entrevista em Lhasa.

A China acusa o Dalai Lama, líder espiritual tibetano, de ter orquestrado a revota para atrapalhar as Olimpíadas de Pequim e pressionar pela independência.

'Os pecados do Dalai Lama e de seus seguidores violam seriamente os ensinamentos e preceitos básicos do budismo e prejudicam a ordem normal e a boa reputação do budismo tibetano', disse Samding Dorje Phagmo, segundo a mídia local --embora ela não tenha detalhado quais foram as transgressões.

O Dalai Lama nega as acusações chinesas, dizendo apoiar as Olimpíadas e querer apenas maior autonomia para o Tibete.

Na semana passada, Pequim ofereceu diálogo com os representantes de Dalai Lama, depois de a comunidade internacional ter pressionado por isso. Mas a mídia estatal continua a criticar ao Dalai Lama e ao Tibete na época em que era governado por ele.

(Reportagem de Emma Graham-Harrison)

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