Brown visita o Ulster preocupado com o processo de paz

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, desembarcou nesta segunda-feira na Irlanda do Norte para se reunir com as autoridades políticas e de segurança locais, depois do assassinato no sábado à noite de dois soldados britânicos, reivindicado pelo dissidente IRA Autêntico, que levanta dúvidas sobre o futuro do processo de paz norteirlandês.

AFP |

O ataque provocou os temores de um retorno da violência ao Ulster, onde os Acordos da Sexta-Feira Santa de 1998 acabaram com 30 anos de conflito entre unionistas protestantes, favoráveis à permanência da província dentro da Grã-Bretanha, e católicos republicanos partidários da fusão com a Irlanda.

Gerry Adams, líder do Sinn Fein, principal partido católico republicano do Ulster e antigo braço político do desmantelado Exército Republicano Irlandês (IRA), que no domingo condenou o atentado, afirmou nesta segunda-feira que os autores do atentado não têm apoio popular nem estratégia.

No entanto, afirmou que o chefe de polícia da Irlanda do Norte, Hugh Orde, cometeu um "grande erro" ao admitir, 36 horas antes do atentado, que havia mobilizado especialistas do exército britânico para seguir republicanos dissidentes que estariam planejando assassinar um policial.

"A intervenção destes agentes no passado, totalmente irresponsável, provocou o mesmo sofrimento que, por infelicidade, estão passando neste momento as famílias dos dois soldados britânicos mortos", declarou Adams à BBC.

"Não querem o exército britânico na Irlanda, nem os republicanos, nem os patriotas, nem os democratas. E insisto mais uma vez que isto não justifica o ocorrido".

Adams opinou que o futuro dependerá da habilidade dos políticos "para unir e permanecer tranquilos".

O atentado foi unanimemente condenado pelos líderes políticos do Ulster, da Grã-Bretanha e da Irlanda.

Brown deve se encontrar com comandantes do exército britânico na base de Massereene, ao noroeste de Belfast, onde os dois soldados britânicos morreram em um ataque reivindicado pelo IRA Autêntico, um grupo republicano dissidente do Ira desde 1997 e contrário ao processo de paz.

Acompanhado pelo ministro britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, o premiê deve abordar o tema segurança com o chefe de polícia Orde.

Também deve se encontrar na sede do Parlamento regional com o primeiro-ministro norteirlandês Peter Robinson, líder do Partido Unionista Democrata (DUP/protestante), e o vice-premier Martin McGuinness, membro do partido católico Sinn Fein.

O DUP e o Sinn Fein dividem o poder no governo regional desde 8 de maio de 2007. O ataque de sábado, condenado pelos dois partidos, reavivou os temores sobre o processo de paz, ainda frágil.

cyb/fp-lm

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