Brown tenta reduzir tensão entre Índia e Paquistão após ataques em Mumbai

Nova Délhi/Islamabad, 14 dez (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, tentou hoje apaziguar os ânimos entre Índia e Paquistão, duas potências nucleares do sul da Ásia que protagonizaram uma nova escalada de tensão por causa da suposta violação do espaço aéreo paquistanês por um avião indiano.

EFE |

Brown - que ontem fez uma visita surpresa ao Afeganistão - tomou café-da-manhã em Nova Délhi com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e depois viajou a Islamabad.

Em Nova Délhi, o premiê britânico declarou à imprensa que o responsável pelo massacre terrorista em Mumbai é o grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), o mesmo acusado pelo Governo indiano.

"Sabemos que houve algumas detenções e que há gente que está sendo detida inclusive agora enquanto falamos", disse Brown, em alusão à operação das forças paquistanesas contra a organização que daria apoio ao LeT, o Jamaat-ud-Dawa (JuD).

Segundo a imprensa indiana, o primeiro-ministro do Reino Unido disse que a comunidade internacional não pode permitir que "haja refúgios seguros para os terroristas nem para os que financiam os ataques terroristas".

"Disse ao primeiro-ministro que a Índia tem o apoio de todo o mundo. Trabalharemos juntos para frear o terrorismo", ressaltou Brown.

Após sua curta visita a Nova Délhi, o primeiro-ministro britânico partiu para Islamabad, onde se reuniu com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, a quem garantiu o apoio necessário para acabar com o terrorismo na região, incluindo um pacote de ajudas no valor de 6 milhões de libras (cerca de US$ 9 milhões).

"É o momento da ação, não das palavras", disse Brown, em entrevista coletiva após o encontro com Zardari, segundo o canal privado "Geo TV".

Brown afirmou que o Reino Unido está muito interessado em colaborar com o Paquistão, porque muitas das tramas terroristas que as autoridades britânicas investigam têm algum ponto de conexão com membros da Al Qaeda em solo paquistanês.

O primeiro-ministro britânico disse que a escalada de tensão entre Índia e Paquistão não interessa a nenhum dos países, e expressou seu desejo de que os líderes consigam conduzir a situação.

Já Zardari disse que, se houver provas do envolvimento de elementos do Paquistão nos ataques terroristas de Mumbai, o Estado atuará contra eles.

"Nós mesmos somos vítimas do terrorismo e sentimos a dor do povo de Mumbai", disse Zardari, que pediu novamente à Índia que compartilhe informação e forme uma comissão de investigação conjunta sobre os atentados.

A visita de Brown, semelhante à realizada pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice dias depois dos ataques a Mumbai, ocorre em meio a uma nova disputa entre as duas potências nucleares.

O Governo paquistanês acusou aviões das Forças Armadas indianas de violarem ontem à noite o espaço aéreo do Paquistão, embora tenha ressaltado que não parece que tenha sido proposital.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, lembrou hoje que seu Exército está capacitado para responder a qualquer tipo de agressão e explicou que as Forças Aéreas do Paquistão confirmaram o incidente de ontem à noite, segundo a "Geo TV".

A ministra de Informação paquistanesa, Sherry Rehman, afirmou que a violação do espaço aéreo paquistanês não foi planejada e que seu Governo não quer uma "escalada" de tensão com a Índia.

Segundo a imprensa local, os aviões indianos sobrevoaram a Caxemira paquistanesa e a cidade de Lahore, situada a poucos quilômetros da fronteira indiana.

A Índia negou energicamente essas acusações através de um porta-voz das Forças Aéreas, o comandante Mahesh Upasini, que disse que "estas informações são falsas".

"Não há nenhuma verdade nestas acusações, é tudo lixo", disse à agência indiana "Ians" outra fonte do corpo militar.

"Nem sequer recebemos uma reclamação das Forças Aéreas paquistanesas", ressaltou.

Em relação à escalada de tensão, o primeiro-ministro indiano pediu hoje ao Paquistão que evite que grupos terroristas atuem a partir de seu território, se o país quiser ter boas relações diplomáticas com a Índia.

Em um comício na localidade caxemiriana de Shangus, Singh pediu ao Paquistão que "mantenha a situação sob controle", segundo a agência "Ians".

A Índia, que exige a entrega de dezenas de terroristas, pede uma ação mais enérgica ao Paquistão, que está realizando uma operação contra o JuD que já levaou à detenção de cerca de 50 ativistas, informou hoje a "Geo TV".

As sedes da organização estão sendo vigiadas em todo o país e o líder do JuD, Hafiz Mohammed Said, está sob prisão domiciliar em Lahore. EFE amp/ab/an

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