Brown se apresenta como líder trabalhista da nova era global

Judith Mora. Brighton (R.Unido), 29 set (EFE).

EFE |

- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, se apresentou hoje diante das bases do partido como o homem certo para liderar o primeiro Governo trabalhista da nova era global, baseado em um modelo econômico respeitoso com o entorno e cheio de oportunidades.

Durante o discurso no congresso anual do Partido Trabalhista, Brown que foi apresentado pela sua mulher Sarah como o herói que tentou devolver aos militantes a confiança em sua formação - dizimada pela grande vantagem indicada pelas pesquisas aos conservadores - e advertiu ao resto do eleitorado que as mudanças têm consequências.

"O status quo que defendem os conservadores não é uma opção, mas é preciso seguir em frente após a crise do crédito. As próximas eleições não será um concurso para a um quarto mandato, mas para o primeiro Governo trabalhista da nova era global", afirmou Brown no Congresso, o último antes das eleições gerais previstas para junho de 2010.

O novo modelo econômico que propôs é baseado em três princípios: o mundo financeiro deve servir aos cidadãos e à indústria e não ao contrário, a economia do futuro será ecológica e, ainda, aposta na intensificação da educação com igualdade de oportunidades.

Brown anunciou a criação de uma corporação nacional de investimentos que vai conceder financiamento às empresas e reforçar a atividade bancária tradicional do serviço dos Correios, reduzido apesar da oposição popular.

Usando um tom eleitoral, o primeiro-ministro prometeu proteger os serviços públicos - especialmente o de saúde (NHS), a joia da coroa das conquistas históricas trabalhistas - e investir mais nas escolas públicas.

Algumas das medidas mais aplaudidas foram as de restabelecer o vínculo entre salário e previdência, no caso da mais baixa, e oferecer creches públicas a partir dos dois anos. Atualmente, o serviço é público para crianças a partir dos três anos.

Ainda comprometeu-se em criar um serviço nacional de atenção para os idosos, elaborar um referendo para um sistema eleitoral mais proporcional e abolir as cadeiras hereditárias na Câmara dos Lordes.

Em um terreno mais polêmico, anunciou a criação de uma rede de casas para as mães solteiras menores de 18 anos e o início das atividades de projetos de intervenção familiar, para ajudar algumas das 50 mil famílias mais caóticas do país.

Referiu-se também a necessidade de reduzir a cultura do álcool entre os jovens e aumentar a presença policial nos espaços públicos, além de garantir que não haverá documento nacional de identidade (DNI) obrigatório para os britânicos.

Brown passou pisando em ovos pelos assuntos exteriores como o Afeganistão, Irã ou os territórios palestinos - com a exceção do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), do que tentou tirar proveito ao destacar sua gestão.

Dentro do já anunciado plano de quatro anos para reduzir o déficit do Estado à metade, confirmou que os impostos serão elevados para as faixas maiores de renda em meio ponto percentual a cotação à seguridade social a partir de 2011, além de chegar a acordos realistas sobre os salários no setor público.

Brown disse que agora os eleitores têm a opção: a do Partido Conservador de cortar o investimento e eliminar o imposto sobre as heranças que só beneficia 3 mil ricas propriedades, ou a alternativa trabalhista de proteger e melhorar os serviços públicos.

"É a eleição mais importante em uma geração", avisou, após criticar a falta de propostas dos tories para sair da recessão e sua ideologia obsoleta de deixar tudo nas mãos do mercado.

Em direção ao final do discurso, que encerrou sendo ovacionado, Brown, descrito por sua mulher como um homem que se levanta e se deita pensando no que importa ao povo em primeiro lugar, resumiu sua mensagem ao eleitorado: "as próximas eleições não serão sobre o meu futuro, mas sobre o futuro de todos nós". EFE jm/dm

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