Brown resiste à frente do Governo, apesar da derrota eleitoral trabalhista

Judith Mora. Londres, 5 jun (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, se mostrou hoje decidido a continuar à frente do Governo apesar do golpe sofrido pelo Partido Trabalhista nas eleições locais inglesas e das renúncias apresentadas por cinco de seus ministros.

EFE |

Em entrevista coletiva para explicar a remodelação de seu Gabinete, Brown insistiu em que ele é a pessoa idônea para servir ao país e ajudá-lo a superar a crise econômica e parlamentar.

"Se não achasse que sou a pessoa idônea à frente da equipe adequada para enfrentar estes desafios, não estaria aqui", disse, admitindo também que o trabalhismo teve uma "derrota dolorosa" nas eleições realizadas na quinta-feira.

Com os votos de 23 de 34 Governos locais apurados, o Partido Conservador de David Cameron se confirmava como vencedor, somando seis municípios ao total de 27, seguido dos liberal-democratas, que perdiam um e ganhavam outro; e dos trabalhistas, que perdiam quatro e ficavam sem o controle de nenhum.

Segundo uma projeção da rede pública "BBC", se os resultados extrapolassem para as eleições gerais, os "tories" obteriam 38% dos votos, contra 23% dos trabalhistas e 28% dos liberais.

Os resultados das eleições europeias, que também foram decididas ontem no Reino Unido, serão conhecidas no domingo, embora também seja esperada uma derrota do partido governante, que poderia ficar em quarto lugar, atrás do antieuropeu UKIP (Partido da Independência do Reino Unido).

Apesar das pressões dentro e fora de sua legenda para que deixe o cargo, Brown descartou hoje essa alternativa e ressaltou que seu dever é "acabar a tarefa": "Não vacilarei. Não abandonarei. Seguirei fazendo meu trabalho", assegurou.

O primeiro-ministro atribuiu o descontentamento dos cidadãos ao recente escândalo envolvendo parlamentares e à crise econômica, e, embora tenha aceitado também sua responsabilidade, não deu mostras de que vá abandonar o Governo.

Cinco ministros de seu Gabinete renunciaram nos últimos dias e um deles, James Purnell, que ocupava a pasta de Trabalho, convidou-o também a sair para dar opções ao Partido Trabalhista de ganhar as próximas eleições gerais.

Mas longe de dar ouvidos a ele, Brown insistiu em que, apesar dos momentos difíceis que vivem tanto ele como seu Governo e o país, tinha a obrigação de liderar a nação até as próximas eleições, previstos para junho de 2010.

"Tenho fé em cumprir com meu dever... Acho que não se deve abandonar as coisas em tempos difíceis", afirmou.

"Não sou complacente, nunca fui arrogante. Não duvido que sofremos uma grande derrota. Mas a tarefa que este país enfrenta é tão grande que devemos continuar o trabalho".

Após anunciar a nova composição de seu Governo, na qual tentou rodear-se de supostos aliados, Brown se centrou em enumerar as medidas que pensa aplicar para "fazer uma limpeza" na vida política e "liderar o país para sair da crise".

Entre outras coisas, prometeu a criação de três comissões especiais que se apresentarão toda semana perante o Gabinete e que se ocuparão respectivamente da reforma constitucional e do sistema parlamentar, da política nacional e das medidas econômicas necessárias para enfrentar a crise.

A reforma do Parlamento se transformou em uma prioridade política após o escândalo de gasto indevido de dinheiro público por parte de deputados de todos os partidos, o que originou uma série de demissões e cristalizou as divisões dentro do Governo trabalhista.

Dos cinco ministros que renunciaram nos últimos dias, só o de Trabalho, James Purnell, lançou ontem um desafio direto à liderança de Brown, embora a até hoje titular de Comunidades e Governo, Hazel Blears, não tenha ocultado suas diferenças com o primeiro-ministro.

No entanto, os ex-responsáveis de Interior e Defesa, Jacqui Smith e John Hutton, expressaram seu apoio a Brown antes de deixar seus cargos, como também o fizeram os ministros que permanecem, Alan Johnson, David Miliband, Peter Mandelson e Douglas Alexander.

Embora ontem à noite (com a renúncia de Purnell), parecia que o chefe do Governo podia ser derrubado, no final prevaleceu a estratégia de quem acredita que é melhor mantê-lo no poder para fortalecer o partido antes das eleições gerais, que, se fosse realizada hoje, segundo as pesquisas, relegariam o trabalhismo ao último lugar. EFE jm/ma

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