Joaquín Rábago. Londres, 10 mai (EFE).

Joaquín Rábago. Londres, 10 mai (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, renunciou hoje à liderança do Partido Trabalhista para abrir espaço para um possível pacto de seu partido com os liberal-democratas. O anúncio foi feito pouco depois que os liberais exigiram aos "tories" que esclarecessem vários pontos antes de dar o sinal verde a um eventual acordo para a formação do novo Governo. Apesar de ser o terceiro partido em número de votos, a grande distância dos outros dois e o fato de os conservadores, grupo mais votado, não terem obtido maioria absoluta das cadeiras nas eleições de quinta-feira dão aos liberal-democratas a chave para a formação do próximo Governo. Nesse contexto, e frente a acusações sobre sua permanência como primeiro-ministro apesar de ter perdido nas urnas, Brown lembrou aos "tories" que este é "um sistema parlamentar e não presidencial" e que seu dever constitucional é o de "continuar à frente do Governo enquanto os partidos exploram as opções para formar um Executivo que possa gozar de apoio majoritário". Enquanto as equipes negociadores de conservadores e liberais continuavam buscando áreas comuns entre dois partidos ideologicamente distantes, Brown conversou com o líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, e se reunirá com ele para discutirem suas intenções. Clegg é consciente do poder que tem neste momento e pretende jogar pesado para conseguir a oferta mais favorável a suas aspirações, que incluem desde uma reforma do atual sistema eleitoral até a total democratização da Câmara dos Lordes, com a abolição de seus membros hereditários. Mas uma das condições de Clegg para uma eventual aliança com os trabalhistas era a substituição de Brown por outro dirigente do partido, que tivesse menos relação com os 13 anos de Governo trabalhista e com decisões polêmicas, como a Guerra do Iraque. Brown defendeu um possível pacto hoje, ao afirmar que "há uma maioria progressista na Grã-Bretanha" e que "a formação de um Governo de coalizão progressista poderia ser algo interessante para todo o país". O líder trabalhista deixou clara sua intenção de "não seguir no cargo mais que o necessário para assegurar-me de que o caminho ao crescimento econômico está garantido e de que o processo de reforma política avança com rapidez". Com mais pontos em comum com os liberal-democratas, em temas como economia e justiça social, que com os "tories", o problema de uma aliança como a sugerida hoje por Brown é que não soma a maioria absoluta na Câmara dos Comuns. Portanto, exigiria um pacto com outros partidos, entre eles o dos nacionalistas, que teria suas próprias reivindicações e complicaria ainda mais a governabilidade. A tudo isso, soma-se o efeito negativo de aliar-se com um partido que claramente perdeu as eleições (91 cadeiras a menos) para uma Legislatura que exigirá a imposição de dolorosos sacrifícios aos cidadãos, com o objetivo de reduzir um déficit que, em termos percentuais, é superior ao grego. Resta esperar para saber qual dos dois pretendentes os liberal-democratas escolherão. Segundo o parlamentar David Laws, um dos membros da equipe negociadora, os pontos-chave sobre os quais os liberais pediam esclarecimentos aos "tories" são o financiamento da educação, a melhora do sistema fiscal e a reforma eleitoral. "A primeira coisa que temos que fazer é assegurar-nos de que teremos um Governo que não só tem que ser estável por uma questão de interesse nacional, mas que pode fazer frente a desafios muito difíceis, como a reforma política e a situação econômica", disse Laws. Pouco depois Brown anunciou sua renúncia e o início de negociações paralelas. EFE jr/pd

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