Brown renuncia como líder trabalhista para facilitar pacto com liberais

Sem dizer quando renuncia como premiê, Brown espera ter sucessor no partido até setembro; 'tories' oferecem referendo a liberais

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anuncia que renuncia à liderança do Partido Trabalhista
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia como líder do Partido Trabalhista para facilitar um eventual pacto com os liberal-democratas. Ele afirmou que seu partido iniciará "negociações formais" com os liberais para a formação de um novo governo, após terem recebido uma solicitação formal do líder da legenda, Nick Clegg.

Os "tories" (como são conhecidos os conservadores) reagiram oferecendo um referendo sobre a reforma eleitoral aos liberais.

Em declarações na 10 de Downing Street (a sede do governo britânico), Brown, que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2007, anunciou que seguirá provisoriamente à frente do governo, afirmando esperar já ter um sucessor quando o Partido Trabalhista realizar seu próximo Congresso, em setembro. Ele não deixou claro, entretanto, quando renunciará ao cargo de primeiro-ministro, afirmando apenas que não tem a intenção de permanecer no cargo "por mais tempo do que o necessário para formar um governo estável".

O anúncio do atual primeiro-ministro ocorreu pouco depois da divulgação da informação de que a equipe de negociadores do partido Liberal Democrata - que desde quinta-feira negocia com o partido Conservador um possível acordo para a formação de um governo de coalizão - decidiu conversar também com os trabalhistas para discutir uma possível aliança.

Diante dos novos desdobramentos, o anúncio de Brown é interpretado no ambiente político britânico como uma medida com o objetivo de tentar facilitar um acordo entre trabalhistas, que ficaram com 258 cadeiras no Parlamento, e liberal-democratas, que obtiveram 57. Os conservadores ficaram a 20 cadeiras da maioria absoluta: conquistaram 306 de 326.

Em seu pronunciamento, Brown afirmou que deseja que seu sucessor como líder dos trabalhistas esteja no cargo já a tempo de comandar a convenção do partido. "Não vou participar da disputa (pela liderança trabalhista), e não vou apoiar nenhum candidato", disse.

De acordo com o comentarista político da BBC Nick Robinson, a presença de Brown era um dos principais obstáculos para qualquer possível acordo entre liberal-democratas e trabalhistas. Durante a campanha, Clegg chegou a afirmar que só aceitaria uma eventual aliança com os trabalhistas se o partido fosse liderado por outra pessoa que não o atual primeiro-ministro.

Oferta conservadora

Logo após o anúncio de Brown, o vice-líder do Partido Conservador, William Hague, disse ter feito uma "oferta final" aos liberal-democratas de um referendo sobre a reforma eleitoral britânica para evitar que "outro primeiro-ministro não eleito" assuma o poder.

Hague afirmou que vai oferecer ao liberal-democrata, Nick Clegg, um referendo sobre a reforma do sistema eleitoral - uma das principais exigências dos liberal-democratas.

Em um pronunciamento em frente à Câmara dos Comuns em Londres, Hague afirmou que um acordo com os conservadores é a única forma de garantir o "governo forte, estável" que os liberal-democratas afirmam querer, pois daria aos dois partidos, "uma maioria parlamentar segura de 76 (assentos)".

Ao lembrar que nenhum partido conseguiu maioria absoluta das cadeiras no Parlamento, Brown disse que "tem que aceitar seu papel nesse resultado".  O primeiro-ministro afirmou ainda que é do interesse do público britânico que se forme um governo "progressivo" - possivelmente uma coalizão com os liberal-democratas, terceiro maior partido do país.

A oferta conservadora foi feita depois de Brown ter feito uma oferta semelhante aos liberail-democratas, que agora deverão decidir qual das duas ofertas deverá aceitar.

*Com BBC e EFE

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