Brown recorre à crise financeira para afastar dúvidas à sua liderança

Manchester (R.Unido), 23 set (EFE) - Apesar de não resolver os problemas de queda nas pesquisas, o primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, conseguiu hoje manter em suspenso sua questionada liderança apelando para a unidade do partido para enfrentar melhor a crise financeira.

EFE |

"Minha atenção se centra de forma fixa em que este país supere as desafiantes circunstâncias econômicas que enfrentamos", afirmou Brown em um inflamado discurso perante o congresso anual do Partido Trabalhista, realizado em Manchester (norte da Inglaterra).

"O povo britânico não nos perdoará se, neste momento, nos fixarmos só nos assuntos de nosso partido, quando nosso dever é atender aos interesses de nosso país", acrescentou.

Com esse aviso, o chefe do Governo falou para seu partido - cuja conferência começou no sábado e terminará amanhã - depois que vários deputados trabalhistas "rebeldes" vinham tentando, há algumas semanas, forçar sua saída.

Para desgosto de Brown, as pesquisas de intenções de voto previram uma catástrofe do Trabalhismo nas próximas eleições gerais (previstas para o primeiro semestre de 2010) e a volta triunfal ao Governo do Partido Conservador, reanimado por David Cameron.

O chefe trabalhista também teve que suportar hoje os ecos do discurso feito no dia anterior por seu ministro de Exteriores, o jovem David Miliband, considerado por muitos correligionários como o único capaz de salvar o Trabalhismo do desastre em 2010.

Miliband elogiou o chefe por suas conquistas passadas, mas, ao falar do futuro, defendeu a substituição "do fatalismo pela esperança", frase que os comentaristas atribuíram a um "líder em espera".

Nesse contexto adverso, Brown se apresentou como o governante do qual o Reino Unido precisa para enfrentar as turbulências financeiras que afetaram os mercados mundiais e que destruirão milhares de empregos no centro financeiro de Londres.

"Não é o momento de um novato", disse o primeiro-ministro, introduzido de surpresa por sua esposa, Sarah, perante os delegados que lotaram o centro de conferências Manchester Central.

"Nos próximos meses, reconstruiremos o sistema financeiro mundial sobre a base de princípios claros. E esse trabalho começa amanhã (quarta-feira)", quando o próprio Brown viajará para Nova York para abordar a crise com líderes políticos e econômicos. EFE pa/db

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