O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apresentou nesta quarta-feira a líderes da União Européia um documento sobre as reformas mais importantes para a criação de um novo Bretton Woods. Ao chegar à sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os governantes do bloco iniciaram uma cúpula de dois dias, Brown defendeu a necessidade de uma reconstrução da arquitetura financeira internacional para adaptar a economia às mudanças mundiais e pediu que a União Européia lidere o caminho.

"Essa reconstrução pede exatamente a mesma visão que mostramos nos anos 40, quando criamos o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial e a ONU (Nações Unidas)", afirmou.

Assinados em 1944 pelos países mais industrializados na época, os acordos conhecidos como Bretton Woods (cidade americana que foi cenário das negociações) estabeleceram as regras para as relações comerciais e financeiras internacionais.

Brown propõe, por exemplo, que as 30 principais instituições financeiras multinacionais sejam supervisionadas por colégios internacionais em vez da supervisão individual realizada hoje por reguladores nacionais.

Reforma global
A iniciativa do primeiro-ministrp britânico conta com o apoio da França, que ocupa a presidência rotativa da União Européia.

"No momento em que vimos que as agências de classificação (de risco) não funcionam como deveriam e que o FMI não pôde jogar o papel forte que esperávamos, seria irresponsável não pensar em uma conferência mundial para enfrentar todos esses problemas", disse o primeiro-ministro francês, François Fillon, ao chegar à reunião.

"Não é necessário se deter à localização geográfica nem às condições históricas de Bretton Woods", acrescentou Fillon.

Em seu discurso aos demais governantes europeus, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu a criação de "uma nova forma de capitalismo, baseada em valores que coloquem as finanças a serviço das empresas e dos cidadãos, não o contrário".

Também o ministro espanhol de Economia, Pedro Solbes, se disse favorável à iniciativa, mas afirmou que "qualquer revisão do sistema financeiro internacional tem que contar com um apoio muito sólido dos principais atores da economia mundial".

"Se formos capazes de adotar uma posição européia clara, acredito que poderemos jogar um papel muito importante no futuro do sistema financeiro internacional, como jogamos na solução da crise", afirmou Solbes.

Ação coordenada
Ciente disso, Brown disse querer convocar uma reunião do G8, o grupo dos oito países mais industrializados, com a participação de economias emergentes como Brasil, China, Índia e África do Sul, que seria realizada em novembro ou dezembro.

A idéia de negociar com outros países uma reforma "real e completa" do sistema financeiro internacional deve constar, nesta quinta-feira, da declaração final da cúpula européia.

No primeiro dia de reuniões, os governantes europeus debateram a proposta da Comissão Européia de ampliar para 100 mil euros a garantia mínima para os depósitos em contas bancárias privadas no caso de falência de um banco do bloco.

Segundo Solbes, o projeto enfrenta a divergência de alguns países membros, que consideram suficiente o limite de 50 mil euros.

O projeto de conclusão da cúpula, elaborado pela Presidência francesa, também extende a toda a União Européia o plano de ajuda financeira traçado no último domingo, em Paris, pelos 15 países que utilizam o euro como moeda oficial.

De acordo com o rascunho do documento, os 27 países do bloco se comprometerão a "atuar de forma coordenada e global para proteger o sistema financeiro e os depositantes" e tomar "todas as medidas necessárias" para isso.

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