Brown promete demitir assessores que difamam a oposição

LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que já enfrenta uma grave crise econômica e um escândalo político, disse na segunda-feira que assessores do governo flagrados difamando políticos da oposição devem ser demitidos. A declaração foi feita depois da renúncia de seu assessor Damien McBride, apanhado propondo uma campanha de difamação para constranger dirigentes conservadores e suas esposas antes de uma eleição.

Reuters |

Diante da pressão para que apresente um pedido pessoal de desculpas, Brown escreveu ao mais graduado servidor público do país, sir Gus O'Donnell, defendendo regras mais rígidas para a conduta de assessores políticos.

Ele afirmou que também escreveu às pessoas mencionadas nos emails de McBride, entre as quais supostamente o líder do Partido Conservador, David Cameron, e seu porta-voz para assuntos financeiros, George Osborne.

"Qualquer atividade desse tipo que afete a reputação da nossa política é uma questão de grande pesar para mim, e estou pronto para tomar qualquer ação que seja necessária para melhorar o nosso sistema político", disse Brown na carta a O'Donnell, divulgada por seu gabinete.

Um porta-voz de Cameron disse em nota que o líder da oposição "saúda a carta do primeiro-ministro e o fato de ele ter finalmente reconhecido a gravidade do que está acontecendo em Downing Street (sede do governo)".

Brown defendeu que os assessores políticos tenham de assinar um termo para "reconhecer que se alguma vez forem encontrados preparando ou disseminando material inadequado eles irão automaticamente perder seus cargos".

Brown tem recuperado parte da sua popularidade depois do seu bom desempenho como anfitrião da cúpula do G20 neste mês em Londres. Mas as pesquisas mostram que os conservadores ainda estão pelo menos sete pontos percentuais à frente dos trabalhistas em termos de intenção de votos. A eleição tem de acontecer nos próximos 14 meses.

O governo já vinha enfrentando constrangimentos por causa de gastos de parlamentares, inclusive a ministra do Interior, Jacqui Smith, que teve de se desculpar depois de pedir reembolso para a compra de filmes pornográficos na TV a cabo, em nome de seu marido.

Os conservadores aproveitaram o caso McBride para dizer que o governo parece perdido e não rompeu com as práticas manipuladoras do antecessor de Brown, Tony Blair.

A deputada conservadora Nadine Dorries, também citada nos emails, rejeitou a defesa de Brown, que disse desconhecer as comunicações de McBride.

"No mundo real, um chefe é responsável pelas ações dos seus empregados. (McBride) recebe instruções diretamente do primeiro-ministro, se reporta ao primeiro-ministro", disse ela à TV Sky News.

(Reportagem de Frank Prenesti)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG