Brown marca eleição e campanha de um mês começa na Grã-Bretanha

Por Estelle Shirbon LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, lançou oficialmente na terça-feira a campanha eleitoral da Grã-Bretanha, que irá durar um mês e será dominada por temas econômicos, na disputa mais imprevisível no país desde 1992.

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Sob sol da primavera, em frente à residência oficial de Downing Street, e tendo seus ministros enfileirados atrás de si, Brown confirmou que a votação será marcada para 6 de maio, pouco mais de um mês antes do prazo máximo. Há várias semanas, no entanto, o clima eleitoral já dominava o país.

"É provavelmente o segredo menos bem guardado nos últimos anos, mas a rainha gentilmente concordou com a dissolução do Parlamento, e uma eleição geral ocorrerá em 6 de maio", disse Brown, candidato a um novo mandato pelo Partido Trabalhista, há 13 anos no poder.

O Partido Conservador lidera as pesquisas, mas o resultado ainda parece imprevisível, já que o apoio à oposição de centro-direita se concentra em uma parcela relativamente pequena dos 650 distritos parlamentares. Isso pode levar a um Parlamento dividido, sem maiorias absolutas.

"Não tenho muita fé em nenhum dos principais partidos", disse o securitário Kevin Fisher, 50, na localidade de Crawley, ao sul de Londres, onde o Trabalhismo venceu por apenas 37 votos na última eleição, em 2005.

Resultados inconclusivos são raros nas eleições britânicas, cujo sistema tende a favorecer o bipartidarismo. Mas, se nem conservadores nem trabalhistas obtiverem maioria, os liberal-democratas, terceira força da política local, podem se tornar os fiéis da balança.

Os mercados financeiros, no entanto, torcem por um resultado claro, que dê ao vencedor um mandato expressivo para combater o déficit público, que atinge quase 12 por cento do

PIB.

Refletindo a incerteza política, a libra caiu perante o dólar na terça-feira. "A esterlina agora estará ao sabor das pesquisas de opinião até o dia da eleição, em 6 de maio. Pesquisas que não mostrem uma clara maioria conservadora serão vistas como negativas para a libra", disse o analista Michael Hewson, da CMC Markets.

Falando a seguidores à beira do rio Tâmisa, em frente ao Parlamento, o líder conservador David Cameron disse que esta será a eleição mais importante em uma geração.

"Vocês não precisam suportar mais cinco anos de Gordon Brown", disse Cameron, 43 anos, ex-executivo de relações públicas.

A recuperação econômica, após a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, deve ser o tema central da campanha, entrelaçada a questões como gestão dos serviços públicos com orçamentos apertados.

Os conservadores prometem cortar o déficit de forma mais incisiva e rápida do que os trabalhistas, mas também prometem isentar a maioria dos trabalhadores do aumento do imposto sobre salários, que os trabalhistas planejam para 2011.

Brown, 59 anos, foi ministro das Finanças durante uma década, até substituir Tony Blair como primeiro-ministro, em 2007. Ele disse que a recuperação econômica ainda é lenta demais para ser confiada aos conservadores.

"A Grã-Bretanha está no caminho de se recuperar, e nada que fizermos deve colocar essa recuperação em risco", disse ele.

(Reportagem adicional de Sumeet Desai, Caroline Copley e Mohammed Abbas)

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