Brown insiste em planos para ampliar prazo detenção por terrorismo

Londres, 30 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, confirmou hoje que seu Governo continuará com seus planos de ampliar de 28 para 42 dias o prazo de detenção sem acusações para suspeitos de terrorismo apesar da oposição à medida inclusive dentro de seu próprio partido, o Trabalhista.

EFE |

Na sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento, Brown disse que o Executivo de Londres tomou "todas as precauções necessárias" para evitar que fossem produzidas detenções arbitrárias.

Justificou ainda a extensão do prazo - criticado pela oposição e pelas organizações de defesa dos direitos humanos - para evitar dar "oxigênio ao terrorismo".

Esta ampliação faz parte do chamado Projeto de Lei Antiterrorista de 2008, peça-chave da agenda legislativa do Governo de Brown, que causou grande controvérsia no Reino Unido e que pode gerar uma rebelião nas fileiras trabalhistas quando for submetida a votação no final de maio ou no início de junho.

Durante o discurso parlamentar de hoje, o líder da oposição conservadora, David Cameron, disse que a ampliação do prazo para 42 dias "ameaça as liberdades civis, não é necessária e poderia piorar a situação", além de contar com uma grande oposição, inclusive nas fileiras do partido de Brown.

Cameron exigiu que Brown se retratasse e admitisse fazer concessões neste assunto, ao qual o primeiro-ministro respondeu: "Não, vamos continuar com nossa proposta e a apresentaremos na Câmara dos Comuns".

O líder trabalhista, inclusive, afirmou que os conservadores deveriam apoiar a medida.

Na semana passada, o primeiro-ministro foi obrigado a fazer concessões para impedir uma grande rebelião de deputados de seu partido devido à decisão do Governo de aumentar os impostos aos contribuintes com menores salários.

Diante da possibilidade de uma rebelião que ameaçava minar ainda mais sua autoridade, Brown mudou radicalmente de postura e anunciou, sem dar mais detalhes, ajudas para compensar os mais atingidos pela medida fiscal, entre eles jovens e aposentados.

A ampliação do prazo de detenção sem acusações de suspeitos de terrorismo sempre levantou polêmica nas fileiras trabalhistas.

Em 2005, o ex-primeiro-ministro Tony Blair tentou estender de 14 para 90 dias o período de detenção de supostos terroristas e sofreu sua primeira derrota parlamentar graças aos "rebeldes" trabalhistas.

Foi então que o prazo ficou estabelecido em 28 dias.

A nova polêmica coincide com um momento de baixa popularidade dos trabalhistas nas pesquisas de intenções de voto, nas quais os conservadores têm vantagem de 14 a 18 pontos sobre eles, segundo as pesquisas. EFE ep/ev/fal

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