Brown faz reforma ministerial na Grã-Bretanha para aliviar crise

Por Frank Prenesti e Adrian Croft LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, evitou o perigo imediato de queda do governo na sexta-feira com uma reforma ministerial na qual garantiu a lealdade de ministros importantes, mas a incerteza política permanecia alta.

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Ao desistir da substituição do ministro das Finanças Alistair Darling, Brown parece ter evitado por enquanto uma rebelião no Partido Trabalhista, ao qual pertence. Mas a sua autoridade foi arranhada num momento em que a Grã-Bretanha enfrenta a pior recessão em 60 anos e os mercados e o país buscam um governo forte.

A libra atingiu o pico de baixa de duas semanas frente ao euro antes de recuperar a maior parte de seu valor.

"O mercado está acordando para a bagunça em que está a política no Reino Unido", disse o estrategista de câmbio da RBC Adam Cole.

Outros três ministros deixaram o governo na sexta-feira, totalizando seis nos últimos quatro dias.

No entanto, ao lado de Darling, o secretário de Relações Exteriores David Miliband e o secretário de Comércio Peter Mandelson permaneceram no cargo, apoiando a posição do primeiro-ministro.

"Eu não estremecerei, eu não sairei, prosseguirei no cargo e terminarei o trabalho", disse Brown em uma entrevista coletiva após o anúncio dos detalhes da reforma ministerial.

Os investidores ficaram aliviados com a notícia de que Darling permaneceria no cargo, oferecendo continuidade no ministério mais importante para os mercados.

Brown parece ter desistido do plano para substituir Darling pelo aliado Ed Balls. Darling tem sido elogiado por seus esforços para tirar a Grã-Bretanha da recessão.

Os últimos dos seis ministros a deixar o governo foram o secretário de Defesa, John Hutton; o secretário do País de Gales, Paul Murphy, e o secretário de Transportes, Geoff Hoon.

Eles seguiram o secretário do Trabalho e Pensões James Purnell, também visto por alguns como um possível líder do partido, que renunciou na noite de quinta-feira e pediu que Brown deixasse o poder.

Hutton disse que mantém seu apoio a Brown e que pretende não se candidatar novamente ao Parlamento. Já Purnell não escondeu suas críticas.

"Acho agora que sua (Brown) continuada liderança torna uma vitória eleitoral conservadora mais provável, e não menos," disse ele em uma carta aberta a Brown. "Portanto, peço-lhe que fique à parte e dê ao nosso partido uma chance de lutar pela vitória."

A reforma ministerial de sexta-feira, a segunda em oito meses, pode ser a última chance de Brown para unir o partido. Já sua demissão, após apenas dois anos no cargo, aumentaria a pressão pela antecipação da eleição.

As pesquisas apontam amplo favoritismo dos conservadores da na eleição geral. Os trabalhistas governam o país desde 1997.

"O governo está desmoronado diante dos nossos olhos", disse o líder conservador David Cameron em seu site, pedindo eleições antecipadas.

Mas os primeiros resultados da eleição local e europeia de quinta-feira mostram que nenhum partido da oposição se beneficiou claramente da impopularidade trabalhista, o que sugere que uma eleição geral antecipada poderia não produzir uma maioria conservadora tão expressiva quanto as pesquisas sugerem.

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