O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, se esforçou nesta terça-feira para tentar unir seu combalido partido com uma enxurrada de promessas, mas não conseguiu dissipar as dúvidas sobre se conseguirá evitar um colapso nas eleições gerais do ano que vem.

O discurso de Brown no Congresso do Partido Trabalhista em Brighton, sul da Inglaterra, foi dominado pelas questões nacionais e diretamente dirigido aos eleitores das classes média e popular, preocupados com o crime, com o sistema de saúde e com as condutas antissociais.

Com os olhos postos nas eleições de 2010 - que devem acontecer, no máximo, até junho -, Brown disse que após mais de uma década no poder, o partido vai demostrar que pode "mudar o mundo outra vez".

O premiê prometeu revogar os planos de introduzir a carteira de identidade e um referendo para mudar o sistema de votação britânico caso seu partido saia vitorioso da votação.

O discurso de Brown coincide com a publicação de uma pesquisa de intenção de voto que, pela primeira vez desde 1992, mostra os trabalhistas na terceira posição, atrás dos conservadores do grande favorito a sua sucessão, David Cameron, e dos liberal-democratas.

Como no ano passado, Brown foi apresentado por sua mulher, Sarah, que se referiu a ele como "meu marido, meu herói".

"Não é um santo, é desorganizado, é barulhento, se levanta terrivelmente cedo, mas sei que acorda todas as manhãs e se deita todas as noites pensando nas coisas que importam", afirmou.

Brown afirmou que a Grã-Bretanha tem pela frente "a maior eleição em uma geração" e "uma eleição entre duas direções para nosso país".

"É a diferença entre os conservadores que abraçam o pessimismo e a austeridade e os progressistas como os trabalhistas, que adotam a prosperidade e a esperança", afirmou.

O primeiro-ministro confirmou que apresentaria uma nova lei para "intervir nos bônus dos banqueiros quando colocarem as economias em risco", porque "os mercados necessitam de princípios morais".

Além disso, prometeu que os contribuintes britânicos recuperarão as bilhões de libras investidas no salvamento dos bancos britânicos no pior momento da crise financeira no ano passado.

O discurso do premiê se focou também nas questões sociais, ao que parece após uma pesquisa interna revelando que os trabalhistas não estavam prestando atenção ao crime e aos comportamentos antissociais.

Brown disse que pretende implementar uma política de intervenção preventiva para evitar a delinquência juvenil e enviar brigadas para as áreas mais problemáticas nos próximos meses.

Em matéria de política exterior, o líder trabalhista urgiu Teerã a escolher entre "se unir à comunidade internacional ou ficar isolado", antes da reunião de quinta-feira em Genebra que discutirá o polêmico programa nuclear do Irã.

gj/ap

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