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Brown espera mudança fundamental na missão do R. Unido no Iraque

Londres, 22 jul (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou hoje que espera uma mudança fundamental da missão dos militares britânicos no Iraque nos primeiros meses de 2009, o que abre a possibilidade de uma redução das tropas.

EFE |

Em depoimento na Câmara dos Comuns, Brown, que fez uma visita surpresa ao Iraque no sábado, deixou claro que "nos próximos meses" não será realizada nenhuma redução do contingente de 4.100 militares que o Reino Unido mantém no país árabe.

Brown, que destacou a melhora das condições em Basra nos últimos meses, condicionou qualquer retirada à conclusão das "tarefas" do Reino Unido e aos avanços na região, assim como à opinião dos comandantes militares.

"Mas posso dizer à Câmara hoje que da mesma forma que no ano passado passamos do combate à supervisão, esperaríamos uma nova mudança fundamental da missão nos primeiros meses de 2009 enquanto fazemos a transição para uma relação bilateral a longo prazo com o Iraque", similar à mantida com outros países da região, disse.

Em sua visita ao Iraque no último final de semana, o primeiro-ministro se negou a fixar "calendários artificiais" de retirada das tropas britânicas do país, onde 176 das Forças Armadas britânicas morreram desde o começo da invasão, em 2003.

No entanto, Brown pareceu aplainar o caminho para uma eventual retirada ao anunciar um plano com quatro pontos. A retirada dependeria do progresso do treinamento das forças iraquianas, da realização de eleições provinciais no Iraque no máximo até o início de 2009, do avanço da reconstrução econômica e da criação das condições para que os iraquianos possam assumir o controle do Aeroporto de Basra.

As previsões dos comandantes militares britânicos são de que os iraquianos assumam o controle do aeroporto antes do final deste ano e que o treinamento seja concluído "durante os primeiros meses" de 2009, disse Brown.

Além disso, o Reino Unido prevê que as eleições locais sejam realizadas antes do final do ano, acrescentou o primeiro-ministro, que expressou o compromisso de seu país em continuar apoiando a reconstrução econômica do país.

Como exemplo da melhora da situação, Brown citou a redução dos ataques indiretos contra as tropas britânicas no Aeroporto de Basra de 200 por mês no verão (hemisfério norte) do ano passado para cinco desde abril deste ano.

O primeiro-ministro destacou igualmente um relatório divulgado hoje pela Comissão Parlamentar de Defesa que, após visitar o país, concluiu que a situação de segurança em Basra viveu uma transformação.

Os fatos violentos em todo o Iraque estão em seu nível mais baixo desde 2004, continuou Brown, que disse que essa melhora da situação de segurança "facilitou uma plataforma para novos progressos essenciais na reconciliação".

O primeiro-ministro reiterou que "os avanços mais importantes" têm sido dirigidos cada vez mais pelos próprios iraquianos, que já assumiram o controle da segurança de dez das 18 províncias do país.

Nessa evolução, é vital que os países vizinhos, especialmente Síria e Irã, desempenhem um "papel construtivo e responsável no futuro do Iraque", prosseguiu Brown, que pediu que Teerã deixe de facilitar armas e treinar aqueles que atacam o Governo de Bagdá, a população iraniana e as tropas internacionais.

O depoimento do primeiro-ministro britânico acontece no último dia de sessões antes do recesso estival.

Brown tinha aproveitado em outubro a abertura do Parlamento para anunciar que o Governo britânico reduziria à metade sua presença militar no Iraque e que manteria 2.500 soldados naquele país a partir do segundo trimestre deste ano.

No entanto, o premiê teve que voltar atrás em seus planos após a ofensiva militar lançada em março pelo Governo iraquiano em Basra, que derivou em violentos enfrentamentos entre os soldados e os milicianos, estendendo-se a outras regiões do país e que deixaram centenas de mortos e feridos.

Brown terá a oportunidade de analisar este sábado em Londres a situação no Iraque com o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, que propôs retirar os militares americanos do Iraque em 16 meses se vencer as eleições. EFE ep/wr/plc

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