O primeiro-ministro britânico Gordon Brown sobreviveu na quarta-feira a uma tentativa de dois ex-pesos pesados de seu próprio partido para derrubá-lo, mas saiu ainda mais enfraquecido pelo golpe em plena campanha para as próximas eleições gerais.

Na véspera, os dois ex-ministros trabalhistas propuseram organizar uma consulta dentro do partido para determinar se Brown é o melhor candidato para disputar a próxima contenda eleitoral ante os conservadores, favoritos em todas as pesquisas.

"O que nos salvou é que o partido quer Gordon Brown para dirigi-lo", afirmou o ministro para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, classificando de "lamentável" o episódio.

A imprensa britânica usou uma analogia político-meteorológica, em plena onda de frio siberiano que atinge o Reino Unido, para narrar outro complô anti-Brown, cada vez mais enfraquecido em dois anos e meio no poder.

"Dez graus negativos, essa é a temperatura no interior do número 10 da Downing Street", afirma o jornal The Sun. "O inverno da revolta", intitula The Independent, enquanto que o Times evoca "um vento glacial para Brown".

A proposta de organizar uma votação secreta para avaliar Brown foi feita em uma carta (publicada pelo jornal vespertino Evening Standard) e co-assinada por Geoff Hoon, ministro da Defesa quando a Grã-Bretanha entrou na Guerra do Iraque, em 2003, e a ex-ministra da Saúde, Patricia Hewitt.

"Inúmeros colegas expressaram sua frustração pela maneira como essa questão (da liderança do partido) está afetando nosso resultado político", escreveram os dois ex-membros do governo Tony Blair.

"Chegamos portanto à conclusão de que a melhor forma de resolver este problema seria permitir que cada membro (do Partido Trabalhista) expressasse sua opinião em uma votação secreta", escreveram os dois dissidentes.

Hoon foi mais longe em uma entrevista à BBC. Os trabalhistas, no poder há 13 anos, não conseguem se recuperar devido às dúvidas que pairam sobre a capacidade de liderança de Brown, afirmou, em resumo. "Temos que solucionar este problema de uma vez por todas", sentenciou.

Os partidários de Brown, que sucedeu Tony Blair em 2007, saíram para o contra-ataque quando o governo acaba de iniciar uma agressiva pré-campanha para atacar os conservadores.

Tony Lloyd, líder do grupo trabalhista na Câmara dos Comuns, menosprezo ou caso.

"Não existe qualquer tipo de apoio no grupo para esta tentativa de golpe de Estado", afirmou ao canal Sky.

A deputada trabalhista Geraldine Smith chamou ainda os autores da carta de "covardes".

A imprensa britânica normalmente veicula rumores de complô contra Brown, considerado o principal responsável pelos 10 pontos que separam nas pesquisas os trabalhistas e os conservadores de David Cameron, favorito para as eleições de antes de 10 de junho.

Os analistas políticos receberam com uma mistura de surpresa e ceticismo as propostas de Hoon e Hewitt, e atribuíram a elas poucas possibilidades de êxito.

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