Brown e Sarkozy negam diferença com Merkel sobre resposta à crise

Pedro Alonso. Londres, 8 dez (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, negaram hoje em Londres terem divergências com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a resposta da União Européia (UE) à crise econômica.

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"Nossa análise (da crise) é a mesma da de Merkel. Não há desacordo", ressaltou Sarkozy, que ocupa a Presidência da UE, enquanto Brown assegurou que existe "unidade" dentro do bloco sobre uma reação harmonizada à crise.

Ambos os líderes fizeram essas declarações em coletiva de imprensa posterior a uma reunião informal européia realizada em Londres, que teve a presença também do presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Barroso, e vários empresários.

A reunião, que acontece antes da de chefes de Estado e Governo da UE prevista para quinta e sexta-feira em Bruxelas, foi marcada pela ausência de Merkel.

A imprensa alemã interpretou isso como um "desprezo" de Brown e Sarkozy por suas supostas diferenças com a chanceler sobre as medidas mais idôneas para conter a crise econômica.

Vários países da UE e a CE criticaram na semana passada que a Alemanha, como principal potência econômica européia, não faça o suficiente contra a atual desaceleração econômica.

Conhecida por sua reticência ao endividamento do Estado para custear o gasto público, Merkel insiste que o recente plano de estímulo econômico alemão de 32 bilhões de euros é o mais volumoso da Europa, contra o do Reino Unido (23,5 bilhões de euros) e o da França (26 bilhões de euros).

Apesar de tudo, Brown, Sarkozy e Barroso minimizaram uma eventual fissura européia nessa área, ao ressaltar o caráter "informal" da reunião de hoje e frisar que no fim de semana passado falaram por telefone com a chefe de Governo alemã.

Se ainda fica alguma dúvida, o chefe do Executivo europeu considerou "impossível" buscar uma solução européia à crise sem Berlim, e reiterou sua "confiança total nos esforços que a Alemanha está fazendo".

Segundo Barroso, o plano alemão de reativação econômica "está em linha" com o proposto pela CE, que chega a 200 bilhões de euros - 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) comunitário - e se debaterá no Conselho Europeu desta semana.

Em todo caso, os três líderes concordaram sobre a necessidade de "atuar de forma coordenada" na presente conjuntura econômica, explicou Sarkozy, ao reiterar que a UE enfrenta "uma crise muito séria que requer coordenação".

Por outro lado, Brown, como anfitrião da cúpula, disse que os 27 países-membros estão de acordo em investir em infra-estruturas de tecnologia e meio ambiente como mecanismo para reativar a economia.

Segundo o premier britânico, os países-membros da UE concordam que o objetivo comum passa por construir "uma Europa de baixas emissões e respeitosa com o meio ambiente".

Fora isso, Brown elogiou a idéia de cooperar em nível europeu e se mostrou otimista sobre a possibilidade de trabalhar "de mão dadas" com o Governo Barack Obama.

O primeiro-ministro do Reino Unido alertou também sobre os perigos de cair no protecionismo e fez insistência na necessidade de aprovar a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial, negociada há sete anos.

Brown, Sarkozy e Barroso se encontraram primeiro em Downing Street, residência oficial do chefe de Governo britânico, e depois mantiveram uma reunião no palacete de Lancaster House, no centro de Londres, com aproximadamente 50 líderes empresariais.

Brown, Sarkozy e Barroso voltarão a se reunir em Londres em 2 de abril na próxima cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), que discutirá a crise econômica e a reforma das instituições financeiras internacionais.

EFE pa/rr

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