Brown diz que decisão de libertar terrorista líbio era da Escócia

Londres, 25 ago (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse hoje que a decisão de libertar o líbio Abdelbaset Ali al-Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie, cometido em 1988 e que causou 270 mortes, correspondeu apenas ao Parlamento escocês.

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Em seu primeiro comparecimento público após a libertação de Megrahi, Brown se desvinculou totalmente desta libertação e insistiu em que é competência do Governo autônomo escocês, sobre a qual Londres "não pode interferir de nenhuma maneira".

Assim, Brown explicou que, quando se reuniu com o líder líbio, Muammar Kadafi, durante a cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia) na Itália, em julho, já havia lhe explicado "que qualquer decisão tomada em torno de Megrahi dependeria unicamente de Edimburgo".

Em entrevista coletiva realizada hoje junto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que está em viagem pela Europa, Brown mostrou, no entanto, sua "insatisfação" e "repulsa" com a grande recepção dada ao terrorista ao chegar a Trípoli.

Além disso, o premiê britânico confessou que seu primeiro pensamento naquele momento "foi para as famílias dos mortos no atentado".

Megrahi, único condenado pelo atentado contra um avião da companhia americana Pan Am quando sobrevoava Lockerbie (Escócia), foi libertado na quinta-feira passada por razões humanitárias, já que tem um câncer terminal e os relatórios médicos indicam que lhe restam três meses de vida.

A libertação do líbio, condenado à prisão perpétua em 2001, gerou duras críticas da comunidade internacional, especialmente dos EUA, de onde eram originárias 189 das vítimas do atentado.

Além disso, também gerou a ira da oposição política britânica, que acusou o primeiro-ministro de ter ficado "invisível" após a libertação, e reivindicou várias vezes o comparecimento do premiê para explicar seu ponto de vista.

Brown mostrou hoje sua confiança de que esta polêmica não afete as relações do Reino Unido com Israel ou Estados Unidos no âmbito da luta antiterrorista.

"Nossa vontade de lutar contra o terrorismo é total e quero deixar claro que, seja qual for a decisão tomada, aconteceu com base em critérios jurídicos", disse o premiê britânico.

Além disso, Brown insistiu na vontade do Reino Unido "de trabalhar com países como a Líbia, que renunciou às armas nucleares e quer se unir à comunidade internacional, na luta contra o terrorismo em nível internacional". EFE avh/an

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