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Brown consegue impedir rebelião trabalhista pelos impostos

Londres, 23 abr (EFE) - O primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, fez hoje concessões para impedir uma grande rebelião de deputados de seu partido causada pela decisão do Governo de aumentar os impostos aos contribuintes com salários mais baixos. Perante a possibilidade de uma revolta que ameaçava afetar ainda mais sua autoridade, Brown mudou radicalmente de parecer e anunciou ajudas para compensar os mais afetados pela medida fiscal, entre eles jovens e aposentados. Brown, no entanto, não especificou quais são.

EFE |

O ministro da Economia, Alistair Darling, indica como possíveis soluções a concessão de ajuda aos aposentados para custear o combustível no inverno, de créditos fiscais e do salário mínimo profissional a fim de aliviar os prejudicados.

O problema residia na eliminação da escala mais baixa do imposto de renda, que passa de 10% para 20%, e que foi anunciada pelo próprio Brown há um ano em seus últimos orçamento geral do Estado como titular de Economia.

O agora chefe do Executivo se comprometeu então a que a reforma não entrasse em vigor até o ano fiscal que começa neste mês.

No entanto, o primeiro-ministro se vê agora em apertos porque a decisão será aplicada no meio de uma crise financeira internacional, uma enorme escassez de petróleo, o encarecimento dos alimentos e uma acentuada queda de popularidade do Trabalhismo.

Mais de 50 parlamentares trabalhistas tinham ameaçado iniciar uma revolta se o Governo não compensasse as mais de cinco milhões de pessoas afetadas pela alta dos tributos, já que a medida entraria em vigor quando o partido se prepara para as eleições municipais de 1º de maio na Inglaterra e em Gales.

Consciente de que as pesquisas prevêem uma derrota trabalhista, o primeiro-ministro optou por atender às reivindicações dos rebeldes e adiantou que o pacote de ajudas para os afetados será anunciado no segundo semestre e será retroativo até abril.

"Estamos dispostos a empreender ações porque somos o partido da justiça", disse Brown em seu comparecimento semanal perante a Câmara dos Comuns, ao ressaltar que o Executivo trabalhista "retirou da pobreza mais gente do que qualquer Governo anterior".

O líder do Partido Conservador (primeiro da oposição), David Cameron, não perdeu tempo em qualificar o chefe trabalhista de "figura patética" que sofre de uma "falta de autoridade", acusando-o também de "fraqueza, vacilação e indecisão".

Brown respondeu ironicamente que o "novo" interesse de Cameron na pobreza, um problema ao qual os conservadores historicamente prestaram pouca atenção, só tinha durado "poucos segundos".

Por sua parte, o líder dos rebeldes, Frank Field, acabou retirando uma emenda ao projeto de lei dos orçamentos, submetido esta semana à sua segunda votação parlamentar, que reivindicava compensações para os afetados pela reforma tributária.

A emenda seria votada na próxima semana no Parlamento e já contava com o respaldo de 46 parlamentares trabalhistas.

"O Governo escutou", afirmou Field, que chegou a atuar como secretário de Estado em vários ministérios do Executivo trabalhista.

Apesar de tudo, uma pesquisa de intenções de voto publicada na terça-feira pelo jornal "The Guardian" revelou que o Partido Trabalhista recuperou terreno, pois 34% dos entrevistados apoiava a legenda, cinco pontos a mais que no mês passado.

Na pesquisa, feita pelo instituto ICM com mil pessoas entre 18 e 20 de abril, os conservadores perdiam três pontos, até 39%, e os liberal-democratas retrocediam outros dois, até 19%. EFE pa/db

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