Brown ataca opositores sobre cortes de gastos

Por Matt Falloon LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico Gordon Brown acusou os conservadores nesta quarta-feira de planejar grandes cortes nos gastos públicos, tentando retomar a iniciativa após debelar uma rebelião em seu Partido Trabalhista.

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Brown também propôs medidas para reformar o Parlamento e reconquistar a confiança da opinião pública na política depois do escândalo dos gastos que prejudicou todos os principais partidos nas eleições europeias na semana passada. Os trabalhistas, no poder desde 1997, foram fortemente atingidos e ficaram em terceiro.

Os trabalhistas já caminhavam para uma derrota nas eleições gerais em 2010 muito antes do escândalo da semana passada, e uma vitória convincente dos conservadores seria o melhor resultado possível para os mercados, segundo uma pesquisa da Reuters com economistas.

Um tema que deve dominar a corrida eleitoral é a estratégia para lidar com o endividamento recorde do governo quando a economia britânica começar a se recuperar.

Analistas dizem que os conservadores devem ser mais brandos que os trabalhistas, mas a oposição ainda precisa desenhar seus planos.

"A escolha, quando ocorrer, será entre um governo que está preparado para investir no futuro e o partido Conservador que vai fazer cortes," disse Brown ao Parlamento, se referindo a comentários de um porta-voz dos conservadores para a área da saúde que sugeriu que alguns setores estão diante de cortes de 10 por cento por três anos a partir de 2011.

A oposição negou que esteja planejando tais cortes. O líder conservador David Cameron declarou que os trabalhistas também planejam a redução de gastos e que não estão sendo honestos com a opinião pública.

Brown busca reafirmar sua autoridade e unir o partido após a renúncia de vários ministros importantes de seu gabinete. Ele também assistiu a um fracasso nas eleições europeias, com a menor votação nacional para os Trabalhistas desde 1910.

O debate sobre o futuro dos gastos públicos coincide com um relatório feito por administradores do serviço de saúde bancado pelo Estado. O relatório afirma que a sobrevivência do serviço está ameaçada por uma iminente crise de financiamento.

O endividamento do governo britânico deve atingir o recorde de 175 bilhões de libras neste ano devido à recessão e ao socorro a bancos.

O ministro das Finanças, Alistair Darling, que prevê recuperação econômica para o final do ano, disse que não espera reequilibrar as contas em aproximadamente uma década.

Uma moção apresentada pelos partidos nacionalistas escoceses e galeses, pedindo a dissolução do Parlamento para abrir caminho para uma eleição nacional, foi derrotada na quinta-feira por 340 votos a 268.

(Reportagem adicional de Adrian Croft, Nigel Davies e Frank Prenesti)

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