Macarena Vidal Londres, 16 jun (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, deu hoje um apoio importante ao presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, ao anunciar o envio de tropas adicionais ao Afeganistão e novas sanções contra o Irã.

Os dois líderes se reuniram hoje durante duas horas, na residência oficial britânica, em Downing Street, para tratar de temas como o programa nuclear iraniano; a situação no Iraque e no Afeganistão, onde ambos os países mantêm tropas; a rodada de negociações comerciais de Doha e o processo eleitoral no Zimbábue, entre outros assuntos.

Bush, que encerrará sua viagem européia hoje, com uma visita à Irlanda do Norte, onde já se encontra, deixou Londres com duas vitórias.

A primeira veio com o apoio de Brown à imposição de novas sanções contra o Irã e ao envio de tropas adicionais ao Afeganistão, dois dos objetivos propostos por Bush em sua visita de despedida ao continente.

Além disso, os dois líderes se mostraram em sintonia sobre a presença militar no Iraque, onde descartaram uma retirada antes de cumprir seus objetivos.

Em um anúncio no começo da entrevista coletiva, Brown disse que, diante da rejeição iraniana a paralisar o enriquecimento de urânio, "não havia outra opção além de intensificar as sanções".

O Reino Unido adotará a partir de hoje sanções nos setores petroleiro e energético. Também congelará os ativos no exterior da principal entidade financeira iraniana, o banco Melli.

"Londres pedirá à União Européia a adoção de medidas similares", disse o primeiro-ministro.

Bush o agradeceu pela declaração, que qualificou de "clara, firme e necessária", e afirmou que "o mundo livre deve trabalhar unido para impedir que os iranianos possam desenvolver armamento nuclear".

"Espero que estas medidas convençam o Irã a mudar sua posição, que até agora tem sido basicamente a de dizer: 'O que importa a opinião da comunidade internacional? Fazemos o que queremos'", afirmou Bush.

As declarações de Bush e Brown acontecem no momento em que o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, afirma que suas reuniões de sábado com representantes iranianos "foram melhores do que esperava".

Solana esteve em Teerã para apresentar uma proposta renovada do Grupo dos Seis (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) para que o Irã suspenda seus programas de enriquecimento de urânio.

O primeiro-ministro do Reino Unido também anunciou o envio de tropas extras do Reino Unido ao Afeganistão, e garantiu que esse aumento não será feito às custas dos homens postados no Iraque.

O Ministério da Defesa britânico anunciará hoje que o reforço contará com cerca de 230 engenheiros, funcionários logísticos e instrutores, o que aumentará o número de homens do Reino Unido no Afeganistão para cerca de oito mil, quase todos destacados na província de Helmand, no sul.

Bush pediu reiteradamente a seus aliados europeus nos últimos meses um aumento de suas contribuições, tanto econômicas quanto de soldados, para a estabilização do Afeganistão.

Em outra mostra de sintonia com o presidente dos Estados Unidos, Brown negou a retirada das tropas de seu país no Iraque, ao afirmar que "ainda há trabalho a ser feito".

Segundo o primeiro-ministro, a retirada será feita assim que forem alcançados os objetivos, e não por meio do estabelecimento de "calendários artificiais", a mesma política reiterada regularmente por Bush.

Desta forma, desmentiu informações publicadas na imprensa esta semana que falavam em planos para a retirada das tropas britânicas do Iraque antes do fim deste ano.

O jornal inglês "The Observer" publicou neste domingo uma entrevista com George W. Bush, na qual o presidente americano alertava Brown contra a tentação de anunciar um calendário de retirada militar britânica do país árabe.

"Não deveria haver um calendário definitivo. Acredito que Brown, assim como eu, ouvirá nossos comandantes para ter certeza de que os sacrifícios feitos não serão desperdiçados por reduções injustificadas neste momento", disse Bush.

O presidente americano se reuniu hoje a portas fechadas com o ex-primeiro-ministro britânico e atual enviado especial do Quarteto de Madrid para o Oriente Médio, Tony Blair, para tratar da situação na região.

Após seu encontro com Brown, e uma reunião posterior com o líder do Partido Conservador britânico, David Cameron, Bush se dirigiu a Belfast, onde acaba de chegar para comemorar os 10 anos dos acordos de paz da Irlanda do Norte, antes de voltar a Washington. EFE mv/ev/gs

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