Brown anuncia renúncia ao cargo de premiê britânico

Líder do Partido Trabalhista afirma nesta terça-feira que a renúncia tem "efeito imediato"

iG São Paulo |

O trabalhista Gordon Brown anunciou nesta terça-feira sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro britânico, abrindo caminho para sua sucessão, cinco dias depois de o Partido Conservador ter vencido as eleições sem conquistar a maioria absoluta das cadeiras no Parlamento britânico.

"Minha renúncia como líder do Partido Trabalhista terá efeito imediato", afirmou Brown, um dia depois de anunciar que pretendia permanecer no cargo de líder do partido - e, consequentemente, como primeiro-ministro - até setembro.

Brown anunciou sua renúncia do lado de fora do N.º10 da Downing Street - sede do governo -, antes de dirigir-se para uma audiência com a rainha no Palácio de Buckingham.

O anúncio foi feito após líderes trabalhistas terem reconhecido o fracasso das negociações para formar um novo governo britânico com o Partido Liberal Democrata, de Nick Clegg, que conquistou 57 cadeiras nas eleições de quinta-feira.

AFP
Brown caminha com sua família após anunciar a renúncia em Downing Street, rua da residência oficial do premiê britânico

A decisão de Brown abre caminho para uma aliança entre os partidos Conservador e Liberal Democrata e um possível governo com o líder conservador David Cameron como primeiro-ministro. Logo após o fim das negociações entre trabalhistas e conservadores, os negociadores do partido de Nick Clegg retomaram as negociações com o Partido Conservador.

Representantes conservadores e liberais-democratas ainda negociam os detalhes de um acordo, quatro dias depois das eleições que resultaram na formação de um Parlamento em que nenhum partido conseguiu conquistar a maioria absoluta.

Para que o acordo possa ser fechado, o líder liberal-democrata, Nick Clegg, precisa garantir o apoio da executiva federal e da maioria dos parlamentares de seu partido.

Sem maioria

As negociações para a formação de uma coalizão para o governo britânico se tornou necessária após nenhum dos três principais partidos ter conseguido uma maioria absoluta no número de cadeiras no Parlamento após as eleições gerais da última quinta-feira.

O Partido Conservador conquistou 306 cadeiras, os trabalhistas ficaram com 258 e o Partido Liberal Democrata elegeu 57. Para governar sem a necessidade de uma coalizão, um dos partidos teria que eleger 326 deputados.

Ainda que se coligassem com os liberais-democratas, os trabalhistas precisariam ainda do apoio de partidos menores da Escócia, da Irlanda do Norte e do País de Gales para garantir a maioria absoluta no Parlamento.

As eleições na Grã-Bretanha não terminavam sem uma maioria absoluta de um partido - situação que os britânicos chamam de Hung Parliament (Parlamento suspenso ou enforcado, na tradução literal) - desde 1974.

Naquela ocasião, o então líder trabalhista, Harold Wilson, acabou optando por formar um governo sem o apoio da maioria dos deputados, mas foi obrigado a convocar novas eleições poucos meses depois, quando conseguiu uma maioria apertada, de apenas três deputados.

* Com BBC Brasil

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