Brown anuncia ajuda ao Paquistão e elogia operação contra talibãs

Islamabad, 27 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciou hoje, durante visita ao Paquistão, uma ajuda adicional de 10 milhões de libras (cerca de R$ 32 milhões) para combater o terrorismo, enquanto o Exército paquistanês lançou nova operação contra os talibãs, matando 46 de seus integrantes.

EFE |

A ajuda pretende aumentar a capacidade das agências paquistanesas para lutar contra o terrorismo, disse Brown em entrevista coletiva conjunta com seu colega paquistanês, Yousef Raza Guilani.

O primeiro-ministro do Reino Unido insistiu em que seu país e Paquistão enfrentam "uma ameaça comum" já que "o terrorismo e o extremismo desestabilizam" ambas as sociedades.

"Apoiaremos o um ao outro nas atividades antiterroristas, buscando uma cooperação além da fronteira mais estreita. Estamos preparados para empenhar recursos", afirmou, em alusão também ao Afeganistão, onde fez uma escala surpresa em sua viagem para Islamabad.

Brown anunciou ainda, que metade dos 250 milhões de libras já comprometidos por seu Governo para o Paquistão nos próximos quatro anos se destinará à educação nas áreas tribais, beneficiando 300 mil meninas do ensino médio.

A visita de Brown coincidiu com uma ofensiva que o Exército lançou ontem, e que continuava hoje, contra os talibãs no distrito de Dir, na Província da Fronteira do Noroeste (NWFP), matando 46 talibãs, entre eles um comandante.

"A operação vai continuar em Dir até garantirmos a segurança no local", disse à agência Efe um porta-voz do Exército.

O Governo da NWFP pediu apoio da guarda de fronteira depois que, nas últimas semanas, dezenas de talibãs entraram em Dir, partindo do vale de Swat.

"Não se trata de uma operação, mas de uma resposta", disse hoje o ministro da Informação de NWFP, Mian Iftikhar, em declarações à imprensa, que também informou que milhares de moradores abandonaram Dir nos últimos dois dias, após a invasão dos talibãs.

"As forças de segurança continuarão com a ofensiva até expulsar aos insurgentes de Dir", disse à Efe o porta-voz do Governo da NWFP, Zahid Bunairi, admitindo que o Exército ainda não tem o "controle completo" da região.

"Os insurgentes que vieram a Dir querem boicotar o processo de paz em Swat", denunciou.

No vale de Swat, as autoridades haviam assinado em fevereiro um acordo de paz com os talibãs que admite a aplicação da "sharia" (lei islâmica) na região de Malakand, onde ficam todos esses distritos.

O pacto foi respaldado pelo Parlamento nacional e assinado depois pelo presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, mas o avanço talibã rumo aos distritos vizinhos a Swat como Buner, ao sul, Shangla, no leste, e Dir, a oeste, despertou preocupação tanto na classe política paquistanesa como entre a comunidade internacional.

Hoje, Brown não se esquivou em relação às críticas que ao acordo e só disse que ele "é uma decisão do Parlamento paquistanês".

Guilani, por sua vez, reiterou a versão oficial que "se a paz não se restaurar" em Swat, o acordo será "revisto".

Os analistas consideram que a ofensiva em Dir, após envio de reforços militares também a Buner, é o prenúncio de uma nova operação contra os talibãs em Swat, onde um agente de inteligência consultado pela Efe calculou que operam cerca de 2.500 talibãs armados.

"Atuamos sob ordens do Governo. Ainda apostamos em dar uma oportunidade ao processo de reconciliação, mas, se houver violações sérias do acordo de paz, o Exército será obrigado a agir", acrescentou.

A ofensiva de Dir levou o Tehreek-e-Nafaz-e-Shariat Muhammadi (TNSM, Movimento para o Reforço da Lei Islâmica), que intermediou no acordo, a suspender as negociações com as autoridades, enquanto durarem os ataques.

"Se não suspenderem o ataque, não dialogaremos com eles (o Governo). Estão rompendo o acordo de paz e causando muitas mortes", declarou à Efe o porta-voz do TNSM, Izzat Khan. EFE ja/jp

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