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Britânicos optam cada vez mais pelos cemitérios verdes

Descansar pela eternidade na sombra de um carvalho, de uma castanheira ou em meio a um prado e flores do campo, os britânicos preferem cada vez mais ser enterrados em cemitérios ecológicos, que se multiplicaram nos últimos anos no Reino Unido.

AFP |

"Existem atualmente cerca de 200 cemitérios naturais no país. O primeiro foi aberto em 1994 e, dez anos mais tarde, havia 150", explicou à AFP Andy Clayden, mestre de conferências da Universidade de Sheffield que participou de um estudo lançado em junho de 2007 sobre o desenvolvimento desses locais.

"As aberturas de novos cemitérios continuará, mas serão sobretudo cemitérios naturais criados por sociedades privadas", acrescentou.

No momento, a maioria desses locais existentes são simples espaços registrados como "verdes" nos cemitérios públicos tradicionais, explicou Rosie Inman-Cook, porta-voz do Natural death center, associação dedicada aos funerais alternativos.

Mas, cada vez mais, os proprietários de terrenos e agricultores adquirem consciência do interesse econômico e ambiental de transformar um pedaço de floresta ou um campo inexplorado em cemitério natural.

"Pegamos uma área florestal que em geral não é aproveitada e, administrando-a, melhoramos o entorno e a fauna selvagem volta em abundância", afirmou Nicholas Taylor, diretor-geral da Woodland Burial Parks (WBP), sociedade prestes a abrir seu terceiro cemitério florestal.

O primeiro, aberto em 2000 próximo a Norwich (centro-leste), constatou um aumento da população de pássaros e um enriquecimento da biodiversidade.

A WBP é uma das poucas a instaurar cemitérios nas florestas consideradas antigas: o de Epping (nordeste de Londres) está situado na antiga Floresta Real que existe desde pelo menos o início do século XVII.

Esse parque oferece uma área de 21 hectares constituída principalmente de carvalhos, castanheiras, cedros, e de canteiros de jacintos selvagens. Um jazigo de dois lugares custa de 120 libras (depósitos de cinzas) a 7.000 libras (caixões).

Com as florestas protegidas, é muito difícil obter o sinal verde das autoridades, explicou Inman-Cook.

A principal motivação das pessoas que preferem esses cemitérios é, antes de tudo, criar uma nova floresta, plantando uma "árvore da memória" no local da sepultura. Outro ponto positivo: o aluguel é em geral de 100 anos, contra 25 anos nos cemitérios públicos.

"Eu organizei cerca de 500 enterros e constatei um aumento de 30% ao ano", indicou Inman-Cook, explicando que 7% das cerca das 500.000 pessoas que morreram no Reino Unido em 2007 haviam escolhido essa opção, contra menos de 1% há alguns anos.

"Considera-se geralmente que um cemitério ecológico varia de um local para outro", afirmou Clayden, mas a regra comum é a de se utilizar apenas materiais biodegradáveis.

Alguns proíbem qualquer sinalização do túmulo enquanto que outros aceitam discretos memoriais em madeira, e alguns recusam os corpos embalsamados ou incinerados porque esses procedimentos são poluentes.

Um relatório da Agência de Meio Ambiente elaborado em 1999 indica que as cremações eram responsáveis por 15,7% das emissões de mercúrio na atmosfera britânica e por 11% das emissões de dioxina. E previa um aumento de 60% nesses índices até 2020.

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