John Darwin, um remador amador britânico que havia forjado seu desaparecimento, e sua esposa Anne foram condenados nesta quarta-feira a mais de seis anos de prisão por fraude e estelionato.

Anne Darwin, 56 anos, foi condenada a seis anos e meio de prisão por ter obtido indevidamente quase 250.000 libras (327.000 euros) de diversas seguradoras. Ela embolsou o seguro de vida de seu marido, depois do suposto "desaparecimento".

John Darwin, 57 anos, "desaparecido" no mar quando estava de canoa em março de 2002, foi condenado a seis anos e três meses de prisão por um tribunal de Middlesbrough (nordeste da Inglaterra).

O homem, que admitiu sua culpabilidade, tinha reaparecido em 1 de dezembro passado em uma delegacia de Londres, afirmando ter perdido a memória.

Ele havia sido preso alguns dias depois, assim como sua esposa, que tinha se refugiado no Panamá depois de ter vendido as propriedades do casal.

O juiz Alan Wilkie destacou ao pronunciar a sentença que o casal trabalhou "em equipe" para alcançar seus objetivos, chegando a mentir a seus dois filhos.

Segundo a acusação, os Darwin, que estavam muito endividados, planejaram a "morte" do marido para ganhar o dinheiro do seguro e evitar a falência.

No dia 21 de março de 2002, John Darwin saiu de canoa perto de sua residência de Seaton Carew, no nordeste da Inglaterra. Ele remou na direção do Mar do Norte e voltou discretamente à praia.

Ele se encontrou em seguida com sua esposa, que o levou a uma estação ferroviária. Assim que o marido foi embora, sua mulher chamou a polícia e os bombeiros. Uma gigantesca operação de resgate foi então montada pelas autoridades, e Anne Darwin anunciou, aos prantos, a seus dois filhos o "desaparecimento" de seu pai.

A morte foi oficialmente declarada, e Anne Darwin recebeu 250.000 libras do seguro.

Enquanto isso, John Darwin se refugiou no condado de Combrie, perto de sua antiga casa. No entanto, ele não agüentou a separação e resolveu viver secretamente em um estúdio vizinho da residência dos Darwin.

Ele assumiu a identidade de John Jones e continuou a administrar os negócios do casal e a viajar em todo o mundo com um passaporte falso.

Em outubro de 2007, Anne Darwin finalizou seus negócios no Reino Unido e emigrou para o Panamá, onde seu marido a esperava. O casal comprou um apartamento e um terreno neste país da América Central.

Pouco tempo depois, por um motivo ainda não esclarecido, John Darwin decidiu voltar à Grã-Bretanha, sem sua esposa. Dizendo-se amnésico desde 2000, ele entrou em uma delegacia e declarou "acreditar" ser uma pessoa procurada.

Encontrada no Panamá por um jornalista, Anne Darwin fingiu espanto com a notícia de que seu marido estava vivo, mas um jornal publicou uma foto do casal tirada no Panamá em 2006.

Os dois filhos do casal, Anthony e Mark, se disseram "traídos" e deixaram o tribunal sem fazer comentários.

bur/yw

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