Britânico encena morte de Jean Charles em Londres

O artista performático Mark McGowan vai realizar na tarde deste sábado uma encenação da morte de Jean Charles de Menezes na estação de metrô de Stockwell, em Londres. O artista afirma que sua encenação da morte de Jean Charles de Menezes será muito sutil.

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Artista usará caixa com rosto de brasileiro morto
"Basicamente, alguém vai andar no meio da multidão, com uma caixa de papelão cobrindo o rosto, com a foto de Jean Charles", diz McGowan. "E teremos outras pessoas, os 'nove policiais', com caixas de papelão (cobrindo o rosto) também."

"Tudo será muito silencioso e solene. É tudo muito simbólico", acrescenta. "Não quero mostrar o horror do que aconteceu naquele momento, quero mostrar a quietude. Vai ser comovente."

McGowan é famoso por suas performances. Em maio de 2007, o artista realizou um protesto contra os supostos maus-tratos da família real britânica contra animais, comendo carne de um cão da raça welsh corgi pembroke, a favorita da rainha Elizabeth 2ª.

Permissão

Jean Charles de Menezes foi morto com sete tiros na cabeça dentro de um vagão de metrô na estação de Stockwell, no sul de Londres, em 22 de julho de 2005.

Ele havia sido perseguido desde sua casa, em Tulse Hill, após ser confundido com o militante islâmico Osman Hussein, que teria planejado ataques contra a rede de transportes de Londres no dia anterior.

A empresa responsável pelo transporte público de Londres, a Transport for London, não pretende permitir que o artista e os participantes da encenação cheguem até a plataforma da estação de Stockwell.

"Simplesmente não podemos deixar que ele prossiga (com a performance)", disse um porta-voz da empresa de transporte de Londres ao jornal britânico The Independent.

McGowan, por sua vez, afirma apenas que "vai tentar". "Não dá para prever, não sei se vai ser possível (chegar até a plataforma do metrô)", diz o artista.

Apoio

Mark McGowan conta que enviou um e-mail ao movimento Justice for Jean, campanha que reúne familiares e amigos do eletricista brasileiro e voluntários.

"Eles agradeceram em nome do movimento e da família de Jean Charles e disseram que eu deveria fazer (a performance) da forma que eu decidisse."
McGowan diz que a performance é a sua reação, como artista, à apatia das pessoas, que estão mais preocupadas com coisas como reality shows e a proximidade do Natal.

"É difícil fazer alguma diferença", avalia. "Como artista, posso oferecer resistência."

Para dar um exemplo da apatia, o artista lembra a manifestação em fevereiro de 2003 em Londres, que levou 1 milhão de pessoas às ruas da capital britânica, protestando contra a guerra no Iraque, que ainda não tinha sido iniciada.

"Todo mundo foi para a rua e, depois, todos voltaram para casa", afirma. "Ninguém voltou para as ruas e, cinco anos depois, a guerra (no Iraque) continua."

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