LONDRES (Reuters Life!) - Um graduado funcionário público da Grã-Bretanha que esqueceu arquivos secretos sobre o Iraque e a Al Qaeda em um trem foi multado em 2.500 libras (3.895 dólares), nesta terça-feira. Richard Jackson admitiu ter violado a Lei de Segredos Estatais ao levar dois documentos secretos para casa, no dia 10 de junho, por engano.

Jackson estava passando mal devido a uma doença quando percebeu ter deixado os documentos em um trem que o levou da estação London Waterloo para Surrey, afirmou a agência de notícias Associated Press.

Durante a audiência, o funcionário passou grande parte do tempo com a cabeça apoiada nas mãos.

O juiz Timothy Workman, responsável por julgar o caso, disse que o réu teria de ser condenado a algum tipo de encarceramento se a perda dos documentos houvesse colocado em perigo a segurança nacional.

"Estou ciente de que ele já pagou uma multa pesada, já teve seu salário reduzido e viu sua família e sua própria saúde sofrer com isso", afirmou o juiz.

Jackson recebeu uma suspensão depois do incidente, mas já voltou ao trabalho, em um cargo situado ao menos três graus abaixo daquele ocupado anteriormente pelo funcionário.

O advogado do réu, Neil Saunders, disse que seu cliente encontrava-se sob muita pressão quando do incidente.

"Pode ter sido parcialmente por causa das funções dele, por causa da equipe liderada por ele e por causa do trabalho realizado então que ele cometeu esse grave erro", afirmou.

Jackson só informou o extravio dos documentos no dia seguinte ao fato porque seus chefes imediatos encontravam-se viajando.

A promotora Deborah Walsh afirmou: "A demora em informar o caso atrasou a tomada de qualquer medida para recuperar os arquivos".

Um dos documentos tinha a inscrição "altamente secreto", ao passo que o outro seria de um nível médio de segurança. O réu, originalmente lotado no Ministério da Defesa, estava trabalhando no Escritório do Gabinete, o departamento que descreve a si mesmo como o "escritório central" do governo britânico.

Em um comunicado, o Escritório do Gabinete disse que a perda dos documentos "pode prejudicar a segurança nacional da Grã-Bretanha e as relações internacionais do país. No entanto, até este momento, isso parece não ter ocorrido."

Os arquivos chegaram às mãos de Frank Gardner, correspondente da BBC para questões de segurança.

(Reportagem de Peter Griffiths)

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