Londres, 6 mai (EFE) - Um cidadão britânico que permanece preso no centro de detenção dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba) empreendeu hoje uma batalha legal no Reino Unido para forçar o Governo de Londres a fornecer uma informação que pode ser vital para sua defesa.

Benyam Mohammed, detido em 2002 no Paquistão, enfrenta um julgamento militar nos EUA, no qual, se for declarado culpado, poderia ser condenado à pena de morte, segundo seus advogados.

Seus defensores, liderados pelo famoso advogado de direitos humanos Clive Stafford Smith, afirmam que o Governo britânico tem provas de que seu depoimento foi obtido sob tortura.

Além disso, querem conseguir evidências de que o detido, que nasceu em 1978 na Etiópia, foi submetido a uma entrega extraordinária (detenção extrajudicial e encarceramento de suspeitos de terrorismo em terceiros países).

Por isso, empreenderam ações judiciais no Tribunal Superior de Justiça da Inglaterra e Gales para obrigar o Ministério de Assuntos Exteriores do Reino Unido a fornecer qualquer informação que tenha sobre seus movimentos.

Mohammed, que tinha chegado ao Reino Unido após pedir asilo em 1994 aos 16 anos, foi detido quando tentava voltar para casa a partir do Paquistão e entregue às autoridades americanas.

Segundo seu depoimento, um agente do serviço de contra-espionagem britânico MI5 que lhe interrogou no Paquistão em 2002 disse que seria transferido a um terceiro país árabe.

Mohammed afirma que foi levado ao Marrocos em julho do 2002 em um aviou da CIA (agência central americana) e retido ali durante 18 meses, durante os quais foi repetidamente despido e teve seu peito e genitais cortados com uma lâmina de barbear.

Em 2004, foi transferido ao Afeganistão e depois, no mesmo ano, a Guantánamo.

O Ministério de Assuntos Exteriores não quis fazer declarações sobre o caso. EFE ep/db

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