Britânico Brown tenta salvar governo com reforma ministerial

Por Adrian Croft e Matt Falloon LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, recuou na sexta-feira da ideia de substituir seu ministro das Finanças, na esperança de manter o governo unido e acabar com a crise política que derrubou a cotação da libra.

Reuters |

A moeda atingiu seu menor valor em duas semanas frente ao euro depois da renúncia de ministros importantes -- já foram quatro em quatro dias -- e de eleições locais que sugerem uma grande derrota do Partido Trabalhista, mas sem uma clara preponderância da oposição conservadora.

"O mercado está acompanhando a bagunça que é a política no Reino Unido", disse Adam Cole, estrategista cambial da RBC.

O mercado manifestou alívio, porém, com a notícia de que o ministro das Finanças, Alistair Darling, permanecerá em seu cargo. Os títulos públicos não foram afetados, e o principal índice da Bolsa londrina subia 1,4 por cento.

A imprensa disse que Brown desistiu de um plano para substituir Darling por seu aliado Ed Balls, diante da recusa de Darling em renunciar. Darling foi muito elogiado por seus esforços para tirar a Grã-Bretanha da sua pior recessão desde a 2a Guerra Mundial.

Darling é um rival de Brown dentro do Partido Trabalhista, onde há uma contestação cada vez maior ao premiê. A oposição quer que ele convoque uma eleição antecipada, em vez de esperar até meados de 2010. Alguns deputados trabalhistas têm recolhido assinaturas pela demissão de Brown.

Os ministros da Defesa, John Hutton, e do Trabalho e Previdência, James Purnell, foram as mais recentes baixas do gabinete. Eles eram apontados como possíveis futuros líderes partidários.

Hutton disse que mantém seu apoio a Brown e que pretende não se candidatar novamente ao Parlamento. Já Purnell não escondeu suas críticas.

"Acho agora que sua (Brown) continuada liderança torna uma vitória eleitoral conservadora mais provável, e não menos", disse ele em uma carta aberta a Brown. "Portanto, peço-lhe que fique à parte e dê ao nosso partido uma chance de lutar pela vitória."

A reforma ministerial de sexta-feira, a segunda em oito meses, pode ser a última chance de Brown para unir o partido. Já sua demissão, após apenas dois anos no cargo, aumentaria a pressão pela antecipação da eleição.

As pesquisas apontam amplo favoritismo dos conservadores da na eleição geral. Os trabalhistas governam o país desde 1997.

"O governo está desmoronado diante dos nossos olhos", disse o líder conservador David Cameron em seu site, pedindo eleições antecipadas.

Mas os primeiros resultados da eleição local e europeia de quinta-feira mostram que nenhum partido da oposição se beneficiou claramente da impopularidade trabalhista, o que sugere que uma eleição geral antecipada poderia não produzir uma maioria conservadora tão expressiva quanto as pesquisas sugerem.

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