Brigadas reforçam duto para proteger mineiros no Chile

Homens presos a 700 metros de profundidade enviaram prova de vida por sonda; resgate pode durar meses

Reuters |

Equipes especializadas trabalharam na madrugada desta segunda-feira para reforçar um pequeno duto que servirá para comunicação e fornecimento de comida a 33 mineiros presos há 18 dias numa mina chilena.

"O que estamos fazendo é assegurar o poço. O que temos de fazer é que, por meio desse cordão umbilical com que hoje em dia temos conexão com os mineiros, os mantenhamos vivo," disse André Sougarret, gerente da mina El Teniente, da empresa Codelco, e chefe das escavações para o resgate.

AP
Imagem de sonda mostra homem preso em mina no Chile
No domingo, os mineiros surpreendentemente usaram uma sonda que chegou ao fundo da galeria para enviar uma mensagem mostrando que estão todos vivos . As autoridades prepararam um plano de resgate que deve levar quatro meses.

Uma câmara de vídeo que chegou ao fundo da mina comprovou  que os trabalhadores - sem camisa e com capacetes - estavam em boas condições de saúde, apesar dos 17 dias retidos após um desmoronamento na mina.

O acidente ocorreu na pequena mina de San José, de onde se extrai ouro e cobre, em pleno deserto do Atacama, cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.

O Chile é o maior produtor mundial de cobre, e o acidente desencadeou um debate sobre a segurança na mineração e em outras atividades, num país que espera crescer em média 6% ao ano nos próximos quatro anos.

As provas de vida enviadas pelos mineiros provocaram euforia entre seus familiares, autoridades e milhares de pessoas que acompanham o drama do grupo. "Estávamos adormecidos, e isso foi um despertar, um despertar maravilhoso. Uma explosão de alegria", disse Alonso Contreras, 43, primo de um dos mineiros.

Até o presidente conservador Sebastián Piñera se somou à euforia na noite de domingo. "Viva o Chile, merda!", gritou ele, emocionado, junto a parentes dos mineiros.

Um acampamento batizado de Esperança se formou após o acidente nos arredores da mina, e o clima ali era de festa no domingo.

"A espera é muito diferente agora. É uma espera sem angústia. Isso não acaba, mas estamos com mais esperança de que o final virá", disse o camponês Elias Barrios, 57 anos, irmão de uma vítima.

O encarregado da perfuração disse que o prazo para a retirada dos mineiros é longo, e que só em outubro ou novembro deve haver novidades.

"Temos de fazer já o projeto de engenharia propriamente dito. A primeira estimativa que temos é de três a quatro meses", disse Sougarret.

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