Washington, 14 mar (EFE).- Em meio à crise econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com seu colega dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre o menino Sean Goldman, de oito anos, filho de um americano com uma brasileira morto ano passado, cuja guarda chegou ao mais escalão dos Governos dos dois países.

Em entrevista coletiva posterior ao encontro dos presidentes, Lula disse que o assunto está na Justiça Federal e que "qualquer que seja a decisão, o Governo a respeitará, porque graças a Deus temos no Brasil um Poder Judiciário que tem autonomia".

Obama, por sua parte, "agradeceu a posição do Governo brasileiro de fazer com que o caso fosse para a justiça federal", em lugar da estadual, segundo explicou Lula.

Enquanto isso, em frente à Casa Branca, um grupo de manifestantes com cartazes e bandeiras brasileiras em apoio ao pai reivindicava hoje o retorno de Sean.

Morador de Nova Jersey, o pescador e ex-modelo David Goldman 42 anos, briga na Justiça pela posse de Sean desde 2004.

A Justiça brasileira, porém, vem negando o pedido, mesmo após a morte, no ano passado, da mãe do menino, Bruna Bianchi, durante o parto de sua filha com o advogado João Paulo Lins e Silva, com quem se casara após ela o representar no processo de divórcio -o bebê sobreviveu.

Bruna havia se separado de David em 2004, quando veio com Sean, então com quatro anos, para o Brasil, alegando que faria uma viagem de duas semanas, mas assim que chegou anunciou o divórcio.

A Casa Branca não se posicionou oficialmente sobre o processo, mas o departamento de Estado deixou claro que o Governo dos Estados Unidos quer que o menino volte.

Após David Goldman levar o caso à imprensa e a programas de auditoria nos Estados Unidos, ele passou a ter uma repercussão que nunca tivera anteriormente.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, mencionou o tema ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em reunião preparatória ao encontro presidencial de hoje, há pouco mais de duas semanas.

Na quinta-feira, Hillary falou por telefone com David Goldman, que é capitão de um barco de pesca esportiva por aluguel.

Na quarta-feira, a Câmara de Representantes (Deputados) americana aprovou uma resolução na qual pediu ao Brasil "como assunto de urgência extrema" o retorno de Sean aos Estados Unidos.

David Goldman se ampara na Convenção sobre Sequestros de Haia, que obriga o retorno de Sean aos Estados Unidos para a guarda que se determine na Justiça americana e não na brasileira, que tem a custódia.

Entre outros aspectos, ele teme a influência no meio jurídico da família do padastro de Sean, à qual pertence o membro do Conselho Nacional de Justiça Técio Lins e Silva e que já teve Evandro Lins e Silva (1912-2002), um dos mais renomados juristas do Brasil.

Além disso, David acusa a família de Sean de não tê-lo deixado ver o garoto por anos -o que acabou conseguindo em fevereiro; a família de sua falecida ex-mulher nega, afirmando que ele é quem nunca se interessara em ver o filho.

Ainda em 2004, a 2ª Vara da Família do Rio de Janeiro concedeu a guarda provisória a Bruna, decisão que vem sendo mantida a favor do padrasto.

O americano recorreu e o caso foi para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o processo vá para a Justiça Federal, porque envolve a União, sendo este o ponto em que se encontra atualmente.

Os advogados de João Paulo Lins e Silva discordam e pretendem fazer com que o caso fique na Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

EFE cma/jp

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