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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão começar a discutir com seus pares nos outros três países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a ideia de substituir o dólar nas trocas comerciais bilaterais. O que nós decidimos é que um conjunto de especialistas junto com os presidentes dos Bancos Centrais e ministros da Economia vão começar a discutir isso para nos apresentar sugestões, disse Lula um dia após a primeira cúpula dos BRICs.


"Esse é um passo extremamente importante", disse, acrescentando que essa é uma discussão "que leva anos".

A ideia é tentar reproduzir o que começou a ser feito com a Argentina. O comércio em moeda local entre os dois parceiros do Mercosul representa apenas cerca de 5% do volume total, mas "é um bom começo", nas palavras do presidente.

Sem referência

A declaração final da cúpula dos BRICs, na terça-feira, em Ecaterimburgo, na Rússia, não faz referência explícita a nenhuma das iniciativas relacionadas à busca de alternativas ao dólar como moeda de reserva ou usada em trocas comerciais bilaterais. Destaca apenas a necessidade de um sistema monetário internacional estável, previsível e diversificado.

Às vésperas da reunião, referências do presidente russo e do presidente do Banco Central chinês a essa possibilidade causaram grande repercussão. A China é o pais que mais tem reservas em dólar e qualquer indicação de um possível movimento na denominação dessas reservas é suficiente para gerar apreensão entre investidores.

"Tem países que estão propondo a criação de uma moeda nova, tem países que estão propondo uma cesta de moedas. No caso do Brasil, nós temos uma experiência prática", disse Lula, referindo-se aos temas mencionados na reunião.

"Vamos ver se há entendimento para a gente começar a fazer a experiência de trocas nas moedas de cada país sem precisar comprar dólar para fazer nosso fluxo comercial", acrescentou.

Reformas

Lula voltou a falar sobre iniciativa conjunta dos países emergentes dos BRICs em reformar as instituições internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e Organização das Nações Unidas.

"Todo mundo sabe que o FMI foi criado para resolver problemas do mundo em desenvolvimento. E hoje a crise está no mundo desenvolvido. Parece que o FMI e o Banco Mundial não têm as soluções que tinham quando a crise era mexicana, brasileira, russa", alfinetou.

"Queremos fortalecer essas instituições, mas, ao mesmo tempo, democratizá-las", concluiu. Segundo Lula, o pior que pode acontecer é a atual crise passar sem que as reformas que ele diz considerar necessárias para evitar uma próxima tenham sido adotadas.

"O que pode acontecer de pior no mundo é essa crise terminar sem que a gente tenha feito as mudanças para que não haja mais crise. Certamente, tem país que quer que tudo fique como está. Mas isso não pode, o sistema financeiro não pode ficar por conta da especulação no mercado futuro, aumentando preço de petróleo, preço de commodity. Isso não é possível. O sistema financeiro precisa financiar a produção", concluiu antes de partir para o Brasil.

O presidente classificou ainda o resultado da reunião dos BRICs de extraordinário. "Eu saio muito otimista dessa reunião", disse Lula.

O progresso nos temas destacados pelos quatro líderes poderão ser avaliados em uma segunda cúpula, prevista para ocorrer no Brasil em 2010.

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