BRICs saem do G20 com menos que queriam no FMI, mas Lula comemora

O bloco conhecido como BRIC (sigla formada pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China) pleiteava um aumento de sua representação no Fundo Monetário Internacional (FMI) de 7% durante a reunião do G20 que terminou nesta sexta-feira, mas teve de se contentar com uma ampliação de 5%. As conclusões constam do comunicado final da reunião dos países do G20, o grupo formado pelos países mais ricos do mundo e as principais economias emergentes.

BBC Brasil |

AFP
Chanceler alemã Angela Merkel, premiê holandês Jan Peter Balkenende, presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Barack Obama

O encontro foi encerrado nesta sexta-feira na cidade americana de Pittsburgh.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deu uma entrevista coletiva após a realização da cúpula, disse, no entanto, que não ter obtido a cifra almejada pelo grupo esteve longe de ser um revés para o bloco.

De acordo com Lula, ao reivindicar 7% e obter 5%, os BRICs conseguiram "uma vitória extraordinária".

"Não é só a quantidade. É a demonstração de flexibilidade de governantes e instituições que achavam que não precisavam mexer em nada no mundo", disse.

Crise
Os BRICs também tinham a intenção obter um aumento de sua representação no Banco Mundial em 6%, mas na negociação final acabaram ficando com 3%.

Lula louvou o compromisso firmado na declaração final do G20 de transformar o bloco no fórum primário de cooperação econômica internacional, substituindo o G8 em discussões relativas a grandes temas econômicos.

O G8, o bloco formado pelas sete maiores economias mundiais e a Rússia, seguirá mantendo encontros regulares, mas se centrará em temas de segurança internacional e política externa.

No entender do presidente, o papel ampliado do G20 e a ascensão dos emergentes no bloco é um resultado da crise financeira global.

"A crise abriu a cabeça das pessoas. Eu sei o que é fazer reunião com os países ricos antes da crise e depois da crise", disse.

"É como o ser humano que está no hospital. Quando a gente tá bom, pensa que nunca vai ficar doente. Quando tá todo mundo lá, moribundo, todo mundo é mais humilde, simples, ninguém tem mais certeza de nada."

Comunicado
No documento final da cúpula, os países do G20 também se comprometem em buscar uma conclusão para a Rodada de Doha de liberalização do comércio até 2010 e a lutar contra práticas protecionistas.

Compromissos semelhantes, no entanto, já haviam sido feitos na reunião que antecedeu a cúpula atual, realizada em Londres, em abril deste ano, depois da qual vários países que integram o G20 se lançaram em ações de proteção a seus mercados.

Recentemente, os Estados Unidos impuseram tarifas de 35% sobre pneus importados da China e sindicatos que representam papeleiras americanas pediram a taxação de papel exportado pela China e Indonésia.

O próximo encontro do G20 deve ocorrer no Canadá, em junho de 2010. A reunião seguinte deverá ocorrer na Coreia do Sul, em novembro de 2010. E, depois disso, está previsto ainda mais um encontro na França, em 2011.



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