Bric, México e África do Sul criticam establishment no sistema financeiro

Jaime Ortega Carrascal. São Paulo, 7 nov (EFE).- Os países emergentes levantaram a voz hoje contra as estruturas do sistema financeiro internacional, que, segundo disseram às vésperas da reunião do G20 que discutirá mudanças na ordem econômica mundial, falharam ao não preverem a atual crise.

EFE |

A observação partiu dos ministros de Fazenda, Economia e Finanças do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) mais África do Sul e México, que se reuniram hoje em São Paulo para unificar uma postura com vistas à reunião de amanhã e domingo na cidade.

Os emergentes descarregaram munição contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), que na opinião dos seis países não representam a composição do mundo econômico atual, e também contra as nações desenvolvidas, com as quais se sentam lado a lado no G20, pelo fato de não saberem como solucionar a crise.

"Não vamos exigir ressarcimento pelos erros cometidos pelos países avançados, mas, para reverter o clima de recessão, vamos exigir prazos (para as soluções) e que estes sejam os mais curtos possíveis", disse o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, em entrevista coletiva.

Segundo Mantega, os emergentes concluíram "que é preciso fazer uma reformulação do sistema financeiro internacional criado em Bretton Woods" - referência ao FMI e ao BM -, já que estas duas entidades "não conseguiram detectar a tempo o problema", que começou nos Estados Unidos, atingiu a Europa e colocou o mundo à beira de uma recessão.

Especificamente, os países reunidos hoje pediram "que o sistema financeiro internacional seja repensado e que as instituições em que os emergentes não têm voz ativa sejam reformadas".

Mantega explicou que atualmente, ao contrário da época do pós-guerra, quando o FMI e o BM foram criados, o peso do crescimento econômico não recai sobre as nações desenvolvidas, mas sobre os emergentes, responsáveis por 75% dessa expansão.

Por isso, o Bric, a África do Sul e o México reivindicaram uma maior participação em ambas as instituições, e, segundo o ministro brasileiro, estão "dispostos a assumir as conseqüências financeiras" relacionadas a uma representatividade mais ampla no FMI e no BM.

"É necessário que os organismos multilaterais representem a nova correlação de forças no mundo", frisou Mantega.

A postura dos seis países será apresentada neste fim de semana na reunião anual dos presidentes dos bancos centrais e dos ministros de Fazenda, Economia e Finanças do G20, que ganhou relevância especial porque acontecerá em meio à crise financeira e a uma semana para a cúpula do grupo convocada para 15 de novembro, em Washington.

O G20 é integrado pelos países do G7 (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França) e também por Brasil, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia, África do Sul e Turquia, mais a União Européia (representada como bloco).

As críticas feitas nesta sexta-feira também respingaram sobre o G7, cujos esforços, segundo os ministros reunidos em São Paulo, foram "insuficientes para dar uma solução para os problemas" gerados pela crise financeira, razão pela qual propuseram a ampliação do clube das nações mais desenvolvidas no mundo.

"Ou o G7 muda e se transforma no G14 ou preferimos fortalecer o G20", disse Mantega, que destacou que "uma crise mundial só pode ser combatida com ações coordenadas dos países".

O ministro brasileiro, representando seus colegas do Bric e da África do Sul e do México, cobrou dos países desenvolvidos medidas mais amplas para restabelecer o crédito internacional e a confiança nas economias, abalada pela pouca fé que os consumidores têm atualmente nas instituições financeiras, onde surgiu a desordem atual.

Com base nisso, os seis países proporão ao G20 que sejam definidas "regras mais sólidas para impedir os abusos no setor financeiro", especialmente dos fundos de investimento, apontados como culpados das operações que levaram à falência inúmeras instituições do setor.

"É preciso fiscalizar essas operações. É preciso que haja mais transparência das instituições financeiras, que se saiba se seus ativos são podres ou são saudáveis", declarou Mantega. EFE joc/sc

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