Eduardo Davis. Brasília, 21 abr (EFE).- Brasília celebra hoje os 50 anos de sua fundação com festa, música, esporte e até protestos contra a corrupção, com os monumentais palácios desenhados pelo centenário arquiteto Oscar Niemeyer como cenário de fundo.

Segundo as autoridades, 400 mil pessoas se concentraram na Esplanada dos Ministérios, avenida que concentra todos os edifícios do poder público e onde a festa começou ao amanhecer, com o ressoar de centenas de sinos em uníssono.

Na manhã, a multidão presenciou um desfile de personagens nascidos da imaginação de Walt Disney, como Mickey Mouse e o Pato Donald, que se uniram à festa convidados pelas autoridades locais.

Um dos personagens da Disney mais aplaudidos foi Zé Carioca, um papagaio nascido nos anos 40, que se transformou quase em um símbolo do Brasil e que inspirou os pesados chapéus carregados de bananas e frutas que caracterizaram a cantora e atriz Carmen Miranda.

"Menos mal que Niemeyer não viu", disse um jornalista à Agência Efe ao lembrar a ideologia comunista do criador da maioria dos monumentos da cidade inaugurada no dia 21 de abril de 1960 e levantada no que não era mais que um esquecido e remoto cruzamento de caminhos de terra.

Niemeyer não assistiu à festa e permaneceu no Rio de Janeiro, mas em declarações à imprensa local opinou sobre o desenvolvimento da cidade que projetou junto com o urbanista Lúcio Costa, falecido em 1998, para 600 mil habitantes e que hoje tem quase três milhões.

"Depois Brasília foi inaugurada, chegaram os homens do dinheiro, do capital, e tudo mudou. Chegaram a individualidade e a vaidade mais detestáveis e os hábitos mudaram gradualmente, para adquirir aqueles da burguesia que reprovamos", afirmou Niemeyer.

Acrescentou que uma das "piores coisas" que a capital tem atualmente "é a divisão intolerável entre ricos e pobres".

Além dos abismos sociais, a idílica cidade criada faz meio século mudou em outros aspectos e ganhou um trânsito ora infernal e outros males próprios das grandes capitais, como a falta de serviços e a insegurança.

Também, como sede do poder político brasileiro, foi palco de numerosos escândalos de corrupção, como o que custou o cargo do governador do distrito, José Roberto Arruda, em fevereiro. Ainda no cargo, ele chegou a ser preso pela Polícia e cassado logo depois.

Arruda foi liberado há 15 dias por uma ordem judicial em meio a protestos de diversos grupos políticos, que hoje voltaram a se manifestar contra sua libertação.

"Brasília, 50 anos, e para celebrar soltaram o bando", dizia um grande cartaz exibido por um grupo de pessoas na Esplanada dos Ministérios, onde a única autoridade presente foi o novo governador, Rogério Rosso.

A festa na Esplanada dos Ministérios incluiu também uma atuação de aviões acrobáticos militares e um insólito campeonato de vôlei de praia, em uma cidade situada cerca de 1,2 mil quilômetros do mar.

As celebrações continuarão até à noite, quando está previsto um show com os artistas Daniela Mercury e Milton Nascimento, que já antecipou que interpretará "Peixe Vivo", a canção favorita de Juscelino Kubitschek, que como presidente se empenhou na construção da nova capital. EFE ed/pb

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