Brasileiros tentam manter a calma durante enchente na Austrália

Autoridades emitiram alerta e esvaziaram centro de Brisbane, uma das cidades do país mais procuradas por brasileiros

BBC Brasil |

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Brasileiros que moram em Brisbane, no nordeste da Austrália, tentam manter a calma e aguardam orientação das autoridades sobre o temporal que fez transbordar um rio e que alagou várias cidades no Estado de Queensland.

Com 2 milhões de habitantes e praias famosas, Brisbane é uma das cidades mais procuradas pelos brasileiros interessados em estudar na Austrália.

AP
Estradas foram atingidas pelas chuvas e enchentes em Gympie, Austrália
No início da tarde dessa terça-feira, as autoridades decidiram emitir um alerta e esvaziar o centro da cidade, por onde passa o rio Brisbane. Com uma forte correnteza, o curso d'água já encobriu as pontes que o cruzam. Como medida de segurança, a polícia pediu aos moradores do centro que evitem deixar suas casas nas próximas 24 horas e só saiam se for estritamente necessário.

Aulas foram suspensas e o comércio local fechou as portas, enquanto as empresas liberaram os funcionários. Por causa disso, os congestionamentos da “hora do rush” ocorreram mais cedo, às 13h hora local (1h em Brasília).

O paulista Rafael Vicente Barbosa, 26 anos, que mora há dois meses em Brisbane, diz que foi surpreendido quando o coordenador do curso onde estuda avisou que as aulas seriam suspensas e que todos deviam ir direto pra casa.

Rafael, no entanto, diz que por estar acostumado com as cheias que ocorrem com frequência em São Paulo, não se assustou com a notícia de que o rio poderia transbordar a qualquer momento. “Nas enchentes que eu vivenciei em São Paulo, as providências foram tomadas depois que as ruas estavam alagadas. Aqui é diferente, os australianos se preparam antes da água inundar as ruas. E eles colocam avisos e sinais interditando as ruas”, disse à BBC Brasil.

Segurança

Já a carioca Ana Carolina Gomes, 21 anos, que mora na cidade há um mês, afirma que estava estudando quando chegou a notícia de que deveria voltar pra casa. Ela diz que ficou assustada no início, mas relaxou depois de ver que a cidade estava calma.

Ana Carolina disse à BBC Brasil que vai tranqüilizar a família assim que puder, mas que não vê necessidade de deixar a cidade. Ela espera voltar às aulas na quarta ou quinta-feira.

A autoridades já montaram um plano especial para a retiradas dos moradores para regiões mais altas da cidade, caso o rio ultrapasse o pico da vazão estimado em 4 metros e 20 centímetros.

Adriano Coga, 24 anos, estava trabalhando quando recebeu o aviso do chefe para voltar pra casa. Ele mora em um prédio de 30 andares longe do centro, e como consegue visualizar o rio, se sente mais seguro. Ele disse por telefone à BBC Brasil que, ao chegar em casa, viu os avisos colocados pela administração do prédio nos elevadores pedindo pra que os carros fosse retirados da garagem e levados a um lugar seguro.

“Eu vi uma Lamborghini e uma Ferrari serem levadas e fiquei imaginando o prejuízo que seria se o prédio não tivesse colocado os avisos”, afirmou Adriano, que diz ter enfrentando muitas enchentes na Marginal Tietê, em São Paulo.

Batismo

Morando em Brisbane há apenas uma semana, o estudante Matheus Nakamura diz que a enchente está sendo o seu “batismo” na cidade. Ele diz ter ficado muito assustado no início, mas também afirma que se tranquilizou ao saber das providências das autoridades. Matheus espera poder voltar às aulas nesta quarta-feira.

Até agora, cerca de 200 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas nas 40 cidades atingidas pelas enchentes. Na tarde dessa segunda-feira, parte da cidade de Toowoomba, a 130 quilômetros de Brisbane, foi arrasada por um temporal que deixou dez mortos e 78 desaparecidos.

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