Brasileiros saem de região conflituosa no Chile, diz cônsul

Turistas ficaram presos após manifestantes contrários ao aumento do preço do gás bloquearem vias de acesso a cidades do sul

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Turistas brasileiros presos na Patagônia chilena deixaram as cidades da Punta Arenas e Puerto Natales, depois de terem ficado dias presos após manifestações contra o aumento do preço do gás. Ao iG , o cônsul honorário do Brasil no Chile, Mário Babai, que acompanhou a retirada dos brasileiros da região, explicou que no domingo um último grupo de 30 turistas foi retirado. "Eles saíram de avião de Puerto Natales para Punta Arenas, a caminho da capital Santiago", disse.

Segundo o diplomata, turistas que quiseram seguir para El Calafate, na Argentina, saíram de ônibus, em veículos de empresas particulares, organizados pela Cruz Vermelha e pelo Exército chileno.

De acordo com a assessora que repassa a informação dos brasileiros no Chile, além dos cerca de 99 brasileiros "presos" em Puerto Natales, a estimativa é de que outros 100 turistas brasileiros estivessem em Punta Arenas. As cidades vêm sendo palco de manifestações contrárias ao aumento de 17% no preço do gás, desde quarta-feira, em um impasse visto como o primeiro grande desafio político do presidente Sebatián Piñera neste ano.

Retirada de Puerto Natales no sábado à tarde, a brasileira Rita Mor contou que boa parte da assistência dada aos turistas foi fornecida pela Cruz Vermelha local e que o Itamaraty foi visto como ausente, por não ter fornecido quaisquer instruções. "O clima estava tenso e as condições, precárias. Faltou assistência. Pensamos que as autoridades estavam ocupadas com a história das chuvas no Rio, mas para quem está vivendo uma situação como a nossa, de não poder sair de lá, é angustiante", disse.

Conflito

Tanto Puerto Natales quanto Punta Arenas ficam localizadas no Estreito de Magalhães. Devido aos ventos gelados e das baixas temperaturas, que ficam em torno de 5 graus ao longo do ano, os moradores da região utilizam o gás em média 17 horas por dia. Uma medida política permite que as tarifas dessa região sejam oito vezes menores do que no resto do Chile. Os habitantes resolveram iniciar as manifestações alegando que Piñera estaria descumprindo sua promessa de campanha de não elevar a tarifa do combustível na região.

Nesta segunda-feira, manifestantes contrários à medida do governo federal voltaram a bloquear vias de acesso a Punta Arenas e Puerto Natales. O governo Piñera recorreu à Lei de Segurança do Estado, anunciando que vai adotar medidas judiciais para conter a série de protestos.

*Com Agência Brasil

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