Os brasileiros ficaram ligeiramente mais céticos em relação à capacidade do governo de lidar com a crise econômica mundial, mas ainda permanecem um dos povos mais otimistas diante das turbulências atuais, indicou uma pesquisa da rede de institutos de opinião WIN (Worldwide Independent Network). Segundo o levantamento, que ouviu mais de 21 mil pessoas em 22 países entre meados de junho e o fim de julho, os brasileiros deram uma nota de 6,1 - em uma escala de zero a dez - para quantificar sua confiança na capacidade do governo de lidar com a crise.

O percentual representa uma redução em relação às notas de 6,4, expressada em março, e de 6,7, obtida em janeiro.

Apesar da redução, o país forma, junto com a China (7,2) e a Índia (6,3), o trio de países que mais confiam em seu governo neste período de crise.

No final da lista estão o Japão, cujo nível de confiança no governo (3,3) vinha sofrendo variações dentro da margem de erro desde janeiro, e a Grã-Bretanha, onde a nota de confiança caiu de 4,5 pontos para 3,3 do início do ano para cá.

Índice da crise
A terceira edição do levantamento Índice da Crise se propõe a servir de termômetro para medir o humor dos países em meio à crise financeira.

No Brasil, o levantamento foi feito pelo Ibope com cerca de 2 mil pessoas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Quando foram divulgadas a primeira e a segunda edição da pesquisa, em janeiro e março, um dos destaques foi a confiança expressada pelos brasileiros, inclusive dentro do grupo de emergentes, em relação aos efeitos da turbulência.

De lá para cá, os indicadores passaram a retratar os brasileiros ligeiramente mais preocupados com a crise, por um lado, mas confiantes de que o pior já passou, por outro.

Agora, 13% dos entrevistados acreditam que sua renda diminuirá neste ano, contra apenas 4% em janeiro, por exemplo. Foi o maior aumento nesta medição verificada entre os países pesquisados. Em segundo lugar ficou a Índia, onde 22% acreditam que a renda diminuirá, contra 12% no inicio do ano.

Por outro lado, o percentual de brasileiros que consideram que o panorama dos próximos meses será "pior" vem diminuindo - caiu de 19% em janeiro para 15% em julho.

Comparados à média dos países, os brasileiros, indianos e canadenses estão mais otimistas, foram menos afetados psicologicamente pela crise - em termos de nível de estresse, depressão ou insônia - e estão cortando menos os seus gastos que consumidores em outras partes do planeta.

Como uma conclusão geral, a pesquisa da rede WIN observou que o pessimismo diminuiu em 20 dos 22 países pesquisados, com a confiança nos mercados financeiros melhorando, apesar do ceticismo quanto ao estado dos bancos e das capacidades de respostas dos governos.

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