Brasileiros em Gaza estão incomunicáveis, diz diplomata

O Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, está há dois dias sem conseguir estabelecer contato com duas das três famílias de brasileiros que moram na Faixa de Gaza. A sub-chefe do escritório, Rosimar Suzano, disse à BBC Brasil ter conseguido falar com uma família na manhã de segunda, mas que, desde então, não voltou a ter notícias.

BBC Brasil |

"A situação é muito preocupante. A falta de energia está dificultando a comunicação porque eles não conseguem recarregar a bateria de seus celulares", afirmou Suzano.

A diplomata disse ter enviado os nomes dos brasileiros residentes em Gaza a um escritório de rastreamento de civis baseado dentro do território.

"Eu passei os dados dos brasileiros ontem para que checassem, mas confesso que ainda não tive nenhuma resposta até agora", disse, acrescentando que tentatá nesta terça-feira obter informações sobre os brasileiros junto à organização Crescente Vermelho - o equivalente à Cruz Vermelha nos países islâmicos.

"Barril de pólvora"
Na segunda-feira, as tropas israelenses avançaram pelo território palestino e o campo de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, onde vivem os três brasileiros com cônjuges palestinos, foi alvo da ofensiva.

Na última conversa que Suzano teve com os brasileiros eles relataram que os ataques perto da área onde moram haviam se intensificado e que a família estava trancada dentro de casa.

Rosimar Suzano disse estar conversando com autoridades de outros países sobre as formas que estão sendo empregadas para facilitar a retirada dos estrangeiros de Gaza.

"Há dois obstáculos que dificultam o processo. O primeiro é que se saírem de Gaza terão de ser repatriados, e os brasileiros em Gaza já disseram que não querem voltar para o Brasil", disse a diplomata.

A segunda barreira, segundo ela, é que os estrangeiros que estão deixando o território desde sexta-feira estão indo por conta própria até o posto de fronteira de Erez, correndo grandes riscos.

A diplomata brasileira disse que a situação na Cisjordânia é de calma e que a polícia palestina está acompanhando de perto as manifestações que ocorrem em apoio ao povo palestino em Gaza.

"As autoridades palestinas estão monitorando esses protestos de perto para evitar um alastramento da violência".

"Isso aqui é um barril de pólvora. É uma oportunidade para os grupos mais extremistas se manifestarem. Então há um grande esforço de manter a ordem", disse.

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