Brasileiros em área do terremoto pedem socorro à Embaixada

Estudante e professora de dança estão na região de Sendai, uma das áreas mais atingidas pelo maior desastre natural do Japão

Klinger Portella, iG São Paulo |

Passados dois dias do maior desastre natural da história do Japão , a Embaixada do Brasil no país informou ao iG que recebeu telefonemas de dois brasileiros pedindo socorro. Eles estão na província de Sendai, uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de magnitude 9, que foi seguido de tsunami, na última sexta-feira. De acordo com a Embaixada, ainda não há registros oficiais de brasileiros mortos, feridos ou desaparecidos em meio à tragédia.

Segundo balanço das autoridades japonesas, o número de mortos ultrapassou a casa de 800 pessoas. Há mais de 1,6 mil desaparecidos. Segundo a imprensa local, no entanto, a tragédia pode ter deixado mais de 2 mil mortos no Japão.

A professora de dança Andrea Matsubara, que vive há 15 anos em Sendai, contatou a Embaixada no último sábado, solicitando alimentos e água. Ela, que passou o dia posterior ao terremoto em um abrigo da prefeitura local, já teria voltado para casa, onde, segundo a Embaixada brasileira, abriga sete alunas japonesas que tiveram suas casas destruídas. De acordo com a Embaixada, Andrea está bem e não quer deixar a região.

No entanto, como a água da tsunami ainda não havia baixado até sábado, o acesso à região só poderia ser feito por meio de helicóptero, o que inviabilizava a ajuda por parte da Embaixada brasileira. Segundo relatos locais, somente na manhã deste domingo (horário local), os acessos terrestres começaram a ser liberados. Os trens, no entanto, tiveram os trilhos danificados e só devem retomar as operações em 30 dias.

O segundo brasileiro que pediu ajuda à Embaixada foi o estudante Guilherme Kengi, que também está em Sendai. Ele, no entanto, teme que o vazamento na usina nuclear de Fukushima chegue à província e pediu sua retirada do local.

A Embaixada brasileira disse que a decisão sobre o resgate deve ser tomada pelo governo brasileiro, em Brasília. A situação dos dois brasileiros será relatada, via telegrama, pela Embaixada às autoridades no Brasil. Não há prazo estabelecido para resposta.

A tragédia

A Agência Meteorológica do Japão revisou neste domingo para 9 graus a magnitude do terremoto da última sexta-feira. Inicialmente, o tremor estava avaliado em 8,8 graus, segundo as autoridades japonesas. Na análise do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a magnitude foi de 8,9 graus na escala Richter.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Especialistas em salvamento de quase 70 países começaram a chegar ao Japão para participar das operações de resgate dos milhares de desaparecidos, segundo informações da agência local Kyodo.

Desde o terremoto, mais de 1 milhão de domicílios estão sem água, a maioria na região nordeste do país. Quatro milhões de edifícios não têm energia, e em Sendai os serviços de telefonia também foram comprometidos.

A polícia afirmou que mais de 215 mil pessoas estão vivendo em 1.350 abrigos temporários, mas a ajuda mal começou a chegar a muitas áreas.  

* Com agências

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