Brasileiros detidos na Tailândia se dizem desamparados

Membros de um grupo de mais 50 brasileiros que encerrou um cruzeiro internacional e está há seis dias sem conseguir sair da Tailândia devido a protestos de oposicionistas dizem que estão se sentindo desamparados. Os brasileiros vieram da China e passariam rapidamente pela cidade antes de retornar para São Paulo num vôo via Hong Kong e Johanesburgo.

BBC Brasil |


No entanto, eles ficaram retidos depois que manifestantes do movimento de oposição Aliança Popular pela Democracia invadiram e interditaram o principal aeroporto da capital, Bangcoc.

O grupo está no hotel Dusit, um dos mais nobres da Bangcoc, e inclui mineiros, cariocas, paulistas, paranaenses, maranhenses e brasilienses. Além deles, cerca de outros 70 brasileiros estão sem poder sair do país.

"Estamos nos sentindo desamparados", disse à BBC Brasil o engenheiro aposentado de 65 anos José Vasconcelos Júnior.

Diabético, Vasconcelos viu seu estoque de insulina acabar e teve de ir a um hospital conseguir mais medicação. "Eu tive que ir a um hospital aqui. Você sabe o que é isso?", indagou. "Isso aqui está um caos. É um salve-se-quem-puder."

O aposentado está descontente com a incerteza sobre uma perspectiva de saída do país em breve. "Estamos que nem bicho acuado. Tem gente chorando, passando mal, isso parece um navio afundando."

''Desprestigiados''

"Nós vemos muitos grupos de turistas asiáticos e europeus sendo retirados do país, mas nós continuamos aqui", lamentou o carioca Paulo Souto Maior, analista de tecnologia.

"No nosso hotel mesmo, só hoje saíram pelo menos cinco ônibus de japoneses que deixaram a Tailândia, mas a gente continua esperando. Começamos a nos sentir desprestigiados."

"Somos reféns da situação", contou à BBC Brasil a médica pediatra de Brasília Maria Magalhães Aguiar. "Era para eu já estar de volta ao Brasil trabalhando, mas estou presa aqui", se queixou.

O grupo de brasileiros gostaria de ser retirado da Tailândia para um destino próximo, como Cingapura ou Hong Kong, de onde poderiam seguir rumo ao Brasil.

A embaixada estuda essa possibilidade, mas uma posição concreta só deverá sair nos próximos dias.

Segurança

Apesar de se sentirem frustrados com a situação, os brasileiros disseram que estão em um bom hotel e que se sentem razoavelmente seguros.

Eles afirmam que a embaixada está dando "apoio moral", mas gostariam que o Itamaraty providenciasse um vôo fretado para resgatá-los em breve, com os que estão tirando da Tailândia turistas de outras nacionalidades.

Em entrevista à BBC Brasil, o embaixador em Bangcoc, Edgard Telles Ribeiro, afirmou que a possibilidade de alugar um avião ainda não foi descartada, embora isso represente um desafio logístico.

"Os brasileiros vêm de diversas partes do mundo, do Japão, da Europa, da África do Sul, por isso não podemos prover um vôo com destino ponta a ponta para eles", explicou.

Outro problema, segundo Telles Ribeiro, seria o preço do vôo. "Muitos vieram com pacotes turísticos promocionais e nem todo mundo pode pagar uma nova passagem internacional", ponderou.

Na tarde da terça-feira os representantes consulares deverão se reunir com o grupo de brasileiros para discutir uma solução para o impasse que eles estão vivendo.

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