Brasileiros chegam do Japão ao Brasil com intenção de voltar

Apesar do medo sentido durante o terremoto, brasileiros que moram no país asiático estão confiantes na recuperação

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Cinthia Rodrigues
Helena Egawa (à direita) recebe a filha Eliana Kazumi, que chegou a São Paulo nesta terça. As irmãs Karina Nishikawa e Tatiana Nishikawa também a recepcionam
Brasileiros que chegaram a São Paulo nesta terça vindos do Japão repetem em gestos e discurso a calma que tem demonstrado o povo japonês diante da tragédia que atingiu o país. Alguns voltaram em férias, outros por conta do fim de uma temporada de trabalho e, apesar de relatarem momentos de medo, pretendem voltar em breve.

Nascida no Japão durante uma temporada dos pais por lá, a brasileira Eliana Kazumi, de 27 anos, estava voltando ao país pela primeira vez desde que chegou ao Brasil criança. Foi para a província de Ibaraki atuar por três meses como confeiteira e deveria pegar o voo de volta para São Paulo no sábado, mas perdeu a hora por conta do terremoto. “Muitas estradas para Tóquio ficaram bloqueadas e eu tive que dar uma volta e saí só no domingo”, conta. Da capital japonesa ela voou para o Qatar e de Doha pegou o avião que desembarcou em São Paulo.

  Um dia a mais foi tempo suficiente para Eliana ficar sem energia e água por algumas horas. “Tive que tomar banho gelado e começaram a revezar as províncias que teriam água, a coisa estava ficando feia por lá e estou feliz que estivesse com a passagem comprada”, diz.

Durante o tremor, ela correu para o abrigo de uma loja em frente ao prédio onde mora, seguindo outras mulheres e crianças. “Não sabia direito como agir, mas dá para perceber que eles são muito preparados, então fiquei mais tranquila”, afirma, fazendo planos de voltar. “Apesar do medo que senti na hora do tremor, fiquei com uma boa impressão de todo o resto e quero passar outras temporadas lá.”

Cinthia Rodrigues
O jogador Evinho e a mulher encontram familiares no aeroporto
“Volto em 2 meses”
O jogador de futebol Everaldo Almeida Teixeira, o Evinho, de 27 anos, e a esposa Francislene Sene, de 26, também estavam arrumando as malas para passar férias no Brasil quando houve o terremoto. Eles fariam uma surpresa para a família em São Paulo, mas acabaram contando diante dos telefonemas desesperados de quem mora no Brasil e sabia que eles estavam lá.

Os dois moram há dois anos em Osaka e estavam em casa na hora do primeiro terremoto, o pior. “A gente fica com medo”, conta com os olhos arregalados apenas pela lembrança. “Já tínhamos pegado outros tremores, mas esse foi o maior, foi longo e chacoalhou muito forte”, afirma. Passado o tremor, no entanto, eles voltaram a vida normal. “Na província onde estávamos não houve problemas”, diz.
Francislene concorda. “Vim curtir minha sobrinha, de 9 meses, mas estamos seguros de que o Japão vai se recuperar e já compramos as passagens para voltar.”

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