Brasileiros chegam ao Líbano para votar nas eleições parlamentares

Milhares de pessoas, entre brasileiros e diversas outras nacionalidades de origem libanesa, começaram a desembarcar no Líbano para votar nas eleições parlamentares neste domingo. Segundo as autoridades, hotéis e voos para Beirute estão lotados por causa das eleições, que colocarão a coalizão do 14 de Março, apoiada pelo Ocidente, contra o movimento 8 de Março, liderado pelo Hezbollah e apoiado por Síria e Irã.

BBC Brasil |

O governo libanês disse que nos últimos três dias, cerca de 19 mil pessoas, de várias nacionalidades, chegaram ao país para votar no que é tido por muitos como um dos pleitos mais disputados dos últimos anos.

Segundo a imprensa libanesa, os maiores fluxos de pessoas com origem libanesa estão vindo da região do Golfo Pérsico, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Brasil, Europa, entre outros países.

De acordo com o Cônsul-geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, é difícil saber o número total de brasileiros que chegarão ao país para votar.

Renovação
O brasileiro Jamil Abdul Rahman disse à BBC Brasil que chegou ao Líbano no início da semana para votar e contribuir para a renovação no parlamento do país.

"Achei que era minha obrigação vir e votar, pois também gosto do Líbano e quero ver novas ideias para trazer estabilidade ao país", disse Rahman, que mora na cidade de Mongaguá, no litoral de São Paulo.

Rahman votará na cidade de Majdel Anjaar, no Vale do Bekaa, e disse que outros 90 brasileiros desta cidade libanesa também vieram para votar no pleito.

"No meu voo havia muitos brasileiros e muitos voltaram não apenas para votar, mas também para ver a situação e avaliar se é possível ficar e montar um negócio. Tudo dependerá destas eleições", disse.

Tensão e democracia
O brasileiro Rahman lembrou o fato de ele e outros virem de países democráticos, onde resultados das eleições são aceitos não importa qual seja o resultado.

"Acho saudável que nós, que vivemos no ocidente, estamos aqui para votar, pois temos uma visão diferente de democracia. Acho que os libaneses devem aceitar o resultado que for, gostando ou não", enfatizou Rahman.

No entanto, ele notou que o clima para estas eleições está mais tenso do que as de 2005, quando estava no país e votou.

Outro brasileiro, Hisham Moussawi, concorda sobre o clima de tensão. Morador de Foz de Iguaçu, ele chegou no Líbano há duas semanas com a esposa e dois filhos para passar férias e também votar.

Ele revelou que ainda no Brasil sentia que a situação estava tensa para o pleito, com discussões entre amigos em Foz de Iguaçu que apoiavam facções diferentes.

"No Brasil, eu acompanhava pela internet ou assistia aos canais árabes pela TV via satélite. Sei que estarei votando em uma das eleições mais importantes dos últimos anos", disse o brasileiro, cuja família é natural da cidade de Soultanieh, no sul do Líbano.

Mas para outra brasileira, Joana Zoghby, votar no Líbano será uma experiência inédita, já que esta será sua primeira vez.

Ela, que é de Minas Gerais, disse que veio ao Líbano com o pai e irmão, e que todos votarão por um renovação.

"Meu pai insistiu para que eu votasse. Eu aceitei mas disse que votaria para renovar o parlamento, pois muitos dos que estão aí são aqueles que só sacrificaram o país por interesses pessoais", disse ela à BBC Brasil.

Acusações
Organizações não governamentais que monitoram as eleições acusaram diversos partidos de injetar milhões de dólares nas campanhas eleitorais, inclusive comprando votos, e de pagar os custos das passagens aéreas de libaneses que moram no exterior.

A Arábia Saudita sozinha, segundo as ONGs, enviou US$ 100 milhões para a coalizão do 14 de Março. O Irã estava canalizando fundos para o Hezbollah e seus aliados na tentativa de conseguir a maioria no parlamento libanês e ditar as regras para formar um novo governo.

Todos os brasileiros ouvidos pela reportagem da BBC Brasil disseram que viajaram com seus próprios recursos.

Ao todo, segundo as organizações, as eleições libanesas estavam movimentando mais de US$ 350 milhões, e seria um dos pleitos mais caros no mundo.

Centenas de estrangeiros, da União Europeia, Estados Unidos e outros países, além de libaneses, monitorarão as eleições libanesas no domingo.

O governo libanês colocará dezenas de milhares de policiais e soldados do Exército para garantir a segurança pelo país.

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