Uma missão diplomática formada por deputados brasileiros chegou nesta quarta-feira à noite à capital hondurenha, Tegucigalpa, para uma missão com menos de 48 horas e que não visa oferecer qualquer espécie de intermediação no conflito que vive Honduras.

A agenda da comitiva liderada por Raul Jungmann (PPS-PE) prevê para esta quinta encontros com representantes da Suprema Corte do país, da Comissão Nacional de Direitos Humanos, integrantes da comunidade brasileira, um almoço com o presidente do Congresso de Honduras e uma visita à Embaixada brasileira, na qual se encontra abrigado o líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

Jungmann diz que os deputados pretendem "contribuir para que se encontrem convergências e saídas para esta crise". Mas admite que a delegação não tem poderes para tentar dar um fim ao impasse vivido desde a deposição de Zelaya e seu regresso ao país.

"Estamos aqui sobretudo em uma missão de diplomacia parlamentar, nós não poderíamos fazer um contato de governo a governo, porque nós não somos o governo, e atualmente o Brasil suspendeu relações (com o governo interino de Honduras)", afirmou, ao chegar ao aeroporto de Toncontin, em Tegucigalpa.

Democracia parlamentar

"O que nós vamos fazer é democracia parlamentar, vamos conversar com a elite política, com o Parlamento, com a Corte Suprema de Justiça. Vamos procurar e naturalmente vamos pedir pela integridade da Embaixada do Brasil", acrescentou.

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o princípio que norteou a visita for a "questão da inviolabilidade da Embaixada brasileira, que foi atacada duas vezes".

No entender do político, uma representação suprapartidária como a que está em Honduras tem maior potencial de despertar atenção sobre os temas que estão em jogo no país.

Nesta quarta-feira, militares leais ao governo interino hondurenho retiraram à força ativistas que estavam acampados no Instituto Nacional Agrário de Tegucigalpa e que pediam a restituição de Manuel Zelaya ao poder.

Ainda nesta quarta, o Supremo Tribual (STE) pediu ao líder do governo interino, Roberto Micheletti, que suspenda o estado de sítio em vigor no país. O regime de exceção foi decretado pelo governo no domingo, por um período de 45 dias.

Ontem, pela primeira vez desde que Zelaya regressou ao país clandestinamente, o governo deixou de impor um toque de recolher, o que fez com que muitos hondurenhos lotassem bares de Tegucigalpa.

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