De todos os Estados que estou visitando na minha viagem (vou pernoitar em 11, além do Distrito de Columbia, onde fica Washington), nenhum deles registrou maior aumento na população de latinos entre 2000 e 2006 do que o Colorado. Segundo o Censo americano, os hispânicos passaram de 17,1% da população para 19,7% nesse período.

O que me deixava curioso e que não consegui descobrir até chegar aqui foi se os brasileiros estavam ou não no meio dessa leva de novos moradores destas bandas.

Falando com os compatriotas que encontrei por aqui, o que descobri é que, sim, há muita gente que veio para cá nesse período - embora o Colorado ainda não se compare com os terrenos tradicionais de fixação dos brazucas, como Flórida, Massachussets ou Nova York.

Além disso, descobri também que muitos brasileiros que vieram nos últimos anos estão voltando para casa, empurrados pelos problemas econômicos americanos, pelas medidas contra imigrantes ilegais e pelo bom momento da economia brasileira. O mesmo vem ocorrendo em outros Estados.

Penei um pouco para encontrar uma loja de artigos brasileiros por aqui, algo tão lugar comum em outras cidades do país. Quando encontrei, dei muita sorte: além da dona da loja, lá estava Sandra Marino Meyer. Ela me disse que atua por aqui como uma ajudante informal do consulado (o consulado de Houston, que acumula a responsabilidade sobre os brasileiros de vários estados, incluindo o Colorado).

A ex-advogada, que trabalha com o marido americano numa firma que importa cachaça brasileira para os Estados Unidos, diz que acredita que até 5 mil brasileiros possam estar morando no Colorado, a maioria em Denver.

Para todo esse mundaréu de gente, não há um jornal em português (pelo que pude apurar), e (aparentemente) só a loja que eu visitei, a Empório do Brasil, para comprar de vez em quando um guaraná e matar a saudade da terrinha. Há também poucos restaurantes brasileiros em Denver. Por isso, está claro que o Colorado é uma terra de potenciais oportunidades.

É o caso de Fátima Prado, dona da loja. "Todo dia chega brasileiro, mas todo dia tem gente indo embora. Antigamente, só chegava", diz ela. Sandra conta que essa saída tem ocorrido de uns dois anos para cá, e dá sua teoria sobre porque isso estaria ocorrendo: "É a falta de trabalho".

Fátima chegou a Denver há cerca de seis anos, quando o marido recebeu uma proposta de emprego que implicava trocar a ensolarada Califórnia pela vizinhança das Montanhas Rochosas. Veio e venceu. Diz que seu negócio vai muito bem, obrigado.

Outro brasileiro que encontrei foi Marcello Masseran. Uma história interessante: filho de pai americano e mãe brasileira, Marcello passou anos acalentando a idéia se mudar para cá e realizar o sonho americano. No início, comeu o pão que o diabo amassou - falava um inglês muito ruim e seu primeiro emprego foi de assistente de garçom. Veio para esta cidade depois que um irmão decidiu se fixar em Denver.

Após os tempos no restaurante, foi trocando de empregos e acabou se tornando um bem-sucedido vendedor. Em dado momento, viu a oportunidade de dar o pulo do gato - pediu um empréstimo e comprou sua primeira empresa. Hoje, ele tem uma loja virtual que vende presentes diversos, como velas e enfeites.

Pode ter sido coincidência, mas os três brasileiros de Denver que encontrei aleatoriamente são empreendedores e bom exemplos do sonho americano. Uma excelente propaganda para o Estado do Colorado.

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